sexta-feira, 5 de abril de 2013

Deus existe? Parte 5 – Argumento do Desígnio Divino




Queridos amigos, dando continuidade à nossa série de argumentos sobre a existência de Deus, hoje apresentaremos o quinto argumento. Lembre-se o que disse John Stott: “Crer é também pensar”. Deus lhe deu uma mente e inteligência! Use-a e cresça! Não use sua inteligência para contrapor Deus, você nunca conseguirá isso, mas a use para se aproximar de Deus.

Parte 5 – Argumento do Desígnio Divino

Esse argumento tem um apelo amplo e perene. Praticamente todas as pessoas admitem que uma reflexão a respeito da ordem e da beleza da natureza estimula algo em nosso íntimo. Entretanto, será que a ordem e a beleza são produtos de um desígnio inteligente e um propósito consciente? Para os teístas1, a resposta é afirmativa. Os argumentos a favor do desígnio divino são tentativas de defender essa resposta; de demonstrar por que ela é a mais razoável a ser oferecida. Tais argumentos foram formulados de maneiras tão ricamente variadas quanto a experiência na qual estão arraigados. As declarações a seguir demonstram seu âmago, sua ideia central.

1.  O universo revela uma quantidade surpreendente de inteligibilidade tanto no interior das coisas que observamos como na maneira como essas coisas se relacionam com outras externas. Podemos, então, dizer que a maneira como elas existem e coexistem demonstram uma ordem bela e intrincada e uma regularidade que pode deixar perplexo até mesmo o observador mais casual.
É a norma natural que muitos seres diferentes trabalhem em conjunto para produzir o mesmo fim valoroso – por exemplo, os órgãos em nosso corpo trabalham para manter nossa vida e nossa saúde.
2.      Essa ordem inteligente é produto de um desígnio inteligente, não de mero acaso.
3.      Nada acontece por mero acaso.
4.      Portanto, o universo é produto de um desígnio inteligente.
5.      O desígnio surge da mente de alguém que o estabelece.
6.      Portanto, o universo é produto de um Projetista inteligente.

A premissa 1 é verdadeira. Até mesmo os que discordam do argumento concordam com ela. Só uma pessoa extremamente patética o obtusa não concordaria. Uma única molécula de proteína possui uma ordem impressionante, e mais ainda uma célula. E muito mais ainda um órgão como o olho, em que as partes ordenadas de enorme e delicada complexidade trabalham juntas com inúmeras outras para alcançar um único fim. Até mesmo os elementos químicos são ordenados para combinar com outros elementos de determinada maneira e sob certas condições. A aparente desordem encontrada em certas situações na natureza é um problema exatamente por causa da imensa abrangência da ordem e da regularidade. Portanto, a primeira premissa se sustenta.

Se toda essa ordem não é de alguma maneira o produto de um desígnio inteligente, então o que seria? Obviamente, ela teria simplesmente acontecido; e as coisas teriam alcançado o estágio em que se encontram por mero acaso. Mas, se toda essa ordem não é produto de forças sem propósito e ocasionais, ela resulta de algum tipo de propósito; que só pode ser um desígnio inteligente. Portanto, a segunda premissa também se sustenta.

Obviamente é a terceira premissa que se mostra crucial. Em última instância, os não-crentes afirmam que realmente por acaso, e não por desígnio divino, que o universo de nossa experiência existe de maneira como o conhecemos. Ele simplesmente passou a ter essa ordem, e fica a cargo dos crentes provar como isso não poderia ter acontecido apenas por acaso. Entretanto, a afirmação dos incrédulos está incorreta. Logo, são eles que deveriam produzir uma alternativa mais crível que a ideia do desígnio divino.

E a teoria do acaso é simplesmente insatisfatória. Não podemos compreender o acaso apenas analisando-o sobre um pano de fundo ordenado. Dizer que algo aconteceu por acaso é o mesmo que afirmar que aconteceu de maneira diferente do que havíamos esperado, de um modo que não tínhamos imaginado. Entretanto, a expectativa não pode existir sem a ordem. Se anularmos toda ordem e falarmos do acaso sozinho, como um tipo de fonte derradeira da existência, teremos retirado apenas o pano de fundo que permite falar de maneira de maneira significativa a respeito do acaso.

Em vez de pensarmos no acaso, analisando-o sobre um pano de fundo ordenado, somos convidados a pensar sobre a ordem – que se mostra intricada e presente – sobre o pano de fundo sem propósito e aleatório do acaso. Francamente isso não é crível! Portanto, é perfeitamente razoável validar a terceira premissa – nada acontece por acaso. A conclusão é que o universo é produto de um desígnio inteligente.

1ª pergunta:

Mas a Teoria da Evolução, de Darwin não demonstra ser possível que toda a ordem do universo tenha surgido por mero acaso?

Resposta:
De maneira alguma! Se a teoria de Darwin demonstrou algo, foi: (1) a maneira geral como as espécies podem ter surgido a partir de outras, através de mutações aleatórias; e (2) como a sobrevivência dessas espécies pode estar relacionada a uma seleção natural – a aptidão de algumas espécies de sobreviver num determinado ambiente.

De modo algum essa teoria pode dar resposta a respeito da ordem presente e inteligível da natureza. Em vez disso, a teoria pressupõe a ordem. Como diz uma fase famosa: “A sobrevivência dos mais aptos pressupõe a chegada do apto”. Se os darwinianos, a partir de sua teoria puramente biológica, insistem que toda a vasta ordem ao nosso redor é resultado de mudanças aleatórias, estarão afirmando algo que nenhuma evidência empírica pode confirmar, que nenhuma ciência empírica pode demonstrar; algo que, em face de evidências, está simplesmente além de qualquer possibilidade de crença.

2ª pergunta:

Talvez apenas em nossa região no universo possamos encontrar a ordem. Talvez haja outras partes totalmente caóticas desconhecidas por nós; ou, talvez o universo futuramente se torne caótico. O que acontece com o argumento, então?

Resposta:
Crentes e não-crentes experimentam o mesmo universo. Ou este é formado a partir de um desígnio inteligente, ou então ele não é. E este nosso mundo de experiência comum apresenta uma ordem abrangente e inteligível. Não temos como negar esse fato. Antes de especular a respeito do que ainda acontecerá ou do eu já pode existir, precisamos lidar sinceramente como que temos diante de nós. Precisamos reconhecer de maneira resoluta a extensão surpreendente da ordem e da inteligibilidade em nosso universo.

Podemos perguntar: É possível supor que habitamos uma pequena ilha de ordem, rodeada por um vasto oceano de caos; um mar que ameaça engolir-nos um dia? Consideremos como, nas últimas décadas, temos alcançado de maneira fantástica os limites de nosso conhecimento. Lancemos a visão para muito além deste planeta, e atentemos para os diversos elementos microscópicos que o compõem. O que essa expansão de nossos horizontes revelou? Sempre a mesma coisa: mais, e não menos, inteligibilidade; mais, e não menos, ordem complexa e intricada. Não existe razão para crermos em um caos que nos rodeie; e, ao mesmo tempo, há muitas razões para fazer isso. Percebemos esse fato claramente pela experiência que todos nós – crentes e não-crentes – compartilhamos.

Podemos afirmar algo parecido a respeito do futuro. Conhecemos a maneira como as coisas no universo têm se comportado. Portanto, até que encontremos razões concretas para pensar de outra maneira, temos todos os motivos para crer que ele continuará nesse processo ordenado de decadência. Nenhuma especulação pode anular o que já sabemos.

Mas, então, exatamente que tipo de caos o questionador deseja que imaginemos? Que o efeito precederia a causa? Que esta contradição pode ser desprezada? Que não é necessário existir algo que traga todas as coisas à existência? Essas sugestões são completamente ininteligíveis. Se pensarmos a respeito delas, será apenas para rejeitá-las como inconcebíveis. Por quê? Será que poderíamos imaginar a existência de menos ordem? Sim. De algum novo arranjo da ordem além do que já experimentamos? Sim. Entretanto, seria possível a total desordem e o caos. Isso nunca poderia ser considerado como possibilidade real. Especular a respeito, como se isto fosse realidade, seria perda de tempo.

3ª pergunta:

Mas se a ordem que experimentamos for meramente produto de nossa mente? Mesmo que não possamos imaginar o caos total e a desordem, talvez a realidade seja assim mesmo.

Resposta:
Nossa mente é apenas um meio pelo qual podemos conhecer a realidade. Não temos nenhum outro meio de acessá-la. Se concordamos que algo não pode existir como ideia, não podemos afirmar que ele possa existir na realidade, pois estaríamos pensando em algo sobre o qual afirmamos ser impossível pensar.

Suponhamos que alguém diga que a ordem do universo é produto de nossa mente. Isso coloca a pessoal em uma posição bastante constrangedora. Ela estará dizendo que precisamos pensar a respeito da realidade em termos de ordem e de inteligibilidade, mas na verdade as coisas podem existir nãod essa forma. Propor algo como consideração é o mesmo que pensar a respeito disso. Seria o mesmo que dizer: (a) temos de pensar a respeito da realidade de determinada maneira, mas (b) como pensamos que as coisas podem na verdade não existir dessa maneira, então (c) não precisamos pensar a respeito da realidade da maneira como seria correto pensar a respeito dela! Será que estamos dispostos a pagar um preço tão alto para negar que a existência do universo demonstra um desígnio inteligente? Diante das evidências, aquele questionamento não parece ser vantajoso.
Fonte: Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli.

Queridos amigos, Deus nos fez seres pensantes! Deus não quer que sejamos como marionetes, mas que o conhecimento nos aproxime mais Dele! Não queira ser maior que Deus! Ele te ama e quer se revelar pra você, busque-o! Que você possa ser tocado pelo Espírito Santo de Deus!

 Ainda antes que houvesse dia, EU SOU”. Isaías 43:13a

Grande abraço,

Hélio Roberto.

1. O teísmo é uma doutrina do século XVII que admite a existência de um Deus pessoal, vivo, causador do mundo e que nele atua através de sua providência e o mantém. Sua existência poderia ser provada pela razão, prescindindo da revelação, mas sem negá-la. A despeito disto, o teísmo admite o monoteísmo (a crença em um só Deus); o henoteísmo (a proposta de adorar um só Deus, mas sem negar a existência de outros) e o politeísmo (a crença em vários deuses).

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Interlúdio: Cantata de Páscoa na Igreja Batista Cristã de Brasília: espetacular!


Cantata de Páscoa na Igreja Batista Cristã de Brasília, simplesmente espetacular!
Foi emocionante ver esse lindo coral cantando para Cristo!
O local ficou tomado pela presença do Espírito Santo de Deus!

Abraços,

Hélio Roberto.

domingo, 24 de março de 2013

Deus existe? Parte 4 - Argumento dos Graus de Perfeição




Queridos amigos, dando continuidade à nossa série de argumentos (baseados na razão) sobre a existência de Deus. Hoje, apresentaremos o quarto argumento. Lembre-se o que disse John Stott: “Crer é também pensar”. Deus lhe deu uma mente e inteligência! Use-a e cresça!

Parte 4 – Argumento dos Graus de Perfeição

Ao observarmos o mundo, notamos que as coisas variam de diversas maneiras. Uma cor, por exemplo, pode ser mais clara ou mais escura do que outra; uma torta de maça que acabou de sair do forno está mais quente do que outra que foi retirada horas antes; a vida de uma pessoa que oferece e recebe amor é melhor do que a de outra que não age assim.

Então, designamos as coisas com base em elas terem um grau maior ou menor de determinada característica. Quando o fazemos, naturalmente pensamos nelas com base numa escala que varia de um valor menor até outro maior. Pensamos, por exemplo, que um objeto mais claro aproxima-se do branco puro, e outro mais escuro está mais próximo da opacidade do preto. Isso significa que pensamos com base em várias “distâncias” a partir dos extremos, no grau (maior ou menor) em relação à medida dos extremos.

Às vezes, é a distância literal a partir de um extremo que faz toda a diferença entre ter o ser mais ou menos. Os objetos, por exemplo, são mais quentes quando estão mais próximos de uma fonte de calor. Essa fonte comunica aos objetos o calor que estes possuem. Isso significa que a quantidade de calor é causada por uma fonte externa.

Agora, quando pensamos na bondade dos seres, parte do que queremos dizer está relacionado simplesmente àquilo que eles são. Cremos, por exemplo, que uma existência relativamente estável e permanente é melhor do que uma que se mostre precária e efêmera. Por quê? Porque aprendemos em um nível profundo (mas nem sempre consciente) que o ato de ser é a fonte e a condição de todos os valores; logo, ser algo ou alguém é melhor do que não ser. E reconhecemos a superioridade inerente de todos esses modos de existência que expandem as possibilidades que nos libertam dos confinamentos da matéria, que nos permitem compartilhar, enriquecer e ser enriquecidos pela existência de outros seres e coisas. Em outras palavras, todos reconhecemos que um ser inteligente é melhor do que um não-inteligente; que um ser capaz de dar e receber amor é melhor do que um que não pode fazer isso; que nossa existência é melhor, mais rica e mais completa do que a de uma pedra, uma flor, uma minhoca, uma formiga ou até mesmo um filhote de foca.

Entretanto, se esses graus de perfeição estão relacionados ao ato de existir e se esse ato é causado em criaturas finitas, então é necessário que exista um Ser melhor, uma fonte e um padrão verdadeiros de toda perfeição que reconhecemos. Este Ser absolutamente perfeito – a “Existência de todos os seres”, a “Perfeição de todas as perfeições” – é Deus.

1ª pergunta:
  
O argumento pressupõe a existência de algo melhor e verdadeiro. Entretanto, todos os nossos julgamentos de valor comparativo não são meramente subjetivos?

Resposta:

A própria formulação dessa pergunta já serve para respondê-la. O questionador não teria feito a pergunta a menos que pensasse ser melhor fazê-la do que não fazê-la, e realmente é melhor tentar encontrar a verdadeira resposta do que não procurá-la. É possível falar sobre subjetivismo, mas não podemos vivê-lo na prática.
 Fonte: Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli.

Queridos amigos, Deus nos fez seres pensantes! Deus não quer que sejamos como marionetes, mas que o conhecimento nos aproxime mais Dele! Que você possa ser tocado pelo Espírito Santo de Deus!

Και η ειρηνη του Χριστου1

Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemos-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortais e da fé em Deus. Hebreus 6:1”.

1. A paz de Cristo!
 
Grande abraço,

Hélio Roberto.

sábado, 9 de março de 2013

Deus existe? Parte 3 - Argumento do Tempo e da Contingência



Queridos amigos, dando continuidade à nossa série de argumentos (baseados na razão) sobre a existência de Deus. Hoje, apresentaremos o terceiro argumento. Lembre-se o que disse John Stott: “Crer é também pensar”.

Parte 3 – Argumento do Tempo e da Contingência

1. Notamos que as coisas ao nosso redor começam a existir e deixam de existir. Uma árvore, por exemplo, surge [de forma perceptível, a partir da semente] como um pequeno broto, floresce; depois seca e morre.

2. Seja o que for que passe a existir ou deixe de existir, não tem necessariamente que existir; a não existência é uma possibilidade real.

3. Suponhamos que nada tenha que existir e que a não existência seja uma possibilidade real para tudo.

4. Então, agora mesmo, nada ia existir, porque:

5. Se o universo começou a existir, então todos os serem teriam de traçar sua origem em algum momento no passado no qual não existia nada, literalmente.

6. No entanto, nada pode surgir do nada.

7. Então, o universo não poderia ter tido início.

8. Entretanto, suponhamos que o universo nunca tivesse começado a existir. Logo, pela duração infinitamente longa da história cósmica, todos os seres teriam a possibilidade inerente de não existir.

9. Mas, se em um tempo infinito essa possibilidade nunca foi tornada real, não poderia ter sido uma possibilidade real de maneira alguma.

10. Logo, é preciso haver algo que tenha de existir, que não pode não existir. Esse tipo de Ser é chamado de necessário.

11. Ou essa necessidade pertence aos seres por si próprios, ou deriva de outro Ser. Se ela parte de outro, tem de haver, em última instância, um Ser cuja necessidade não seja derivada, um Ser absolutamente necessário.

12. Esse ser absolutamente necessário é Deus.

1ª pergunta:

Mesmo que alguém nunca saísse de casa durante o dia, seria possível que uma pessoa fizesse isso. Por que é impossível que o universo ainda venha a existir, embora fosse possível que ele deixasse de existir?

Resposta:
Esses dois casos não são realmente paralelos. Sair de casa em determinado dia é algo que podemos escolher fazer ou não. Mas, se a não existência é uma possibilidade real para alguém, essa pessoa é um tipo de ser que não poderia durar para sempre. Em outras palavras, a possibilidade da não existência deve ter sido incluída, programada, como parte da constituição da pessoa; uma propriedade necessária. E, se todos os serem também são assim, então como algo poderia ainda existir depois da passagem de um período infinito? Um período infinito é tão longo quanto a eternidade. Portanto, o Ser precisa ter o que é necessário para durar para sempre; para permanecer em existência por um período infinito. Portanto, tem de existir um no reino dos seres algo que não tenha a tendência de deixar de existir. Esse tipo de Ser, como disse Aquino, é chamado necessário.
Fonte: Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli.

Queridos amigos, Deus nos fez seres pensantes! Deus não quer que sejamos como marionetes, mas que o conhecimento nos aproxime mais Dele! Que você possa ser tocado pelo Espírito Santo de Deus!
Και η ειρηνη του Χριστου1

Respondeu-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. João 8:58”.

Grande abraço,

Hélio Roberto.

1. A paz de Cristo!