quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Tecnologia que nos afasta!


Ainda tinha muitas coisas que vos escrever; não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco, e conversaremos de viva voz, para que a nossa alegria seja completa. 2 Jo 12

Vivemos tempos em que as ferramentas tecnológicas têm avançado exponencialmente. Nessa onda, e de forma até mais evidente, vê-se a quantidade de programas e aplicativos criados que nos conectam com pessoas dos mais ermos pontos do planeta Terra. Basta, para tanto, um smartphone e uma rede de internet, e pronto: não há limite para a interação social. Mas será que isso é mesmo verdade?
O que é, de fato, interação social? O que é viver em sociedade, ou no âmbito da Igreja, viver em comunidade?
Esperava-se que todas essas ferramentas iriam nos aproximar e estreitar os nossos relacionamentos. Só no Brasil, segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas – FGV1, até outubro desse ano haverá cerca de 208 milhões de smartphones (um aparelho por habitante)! Ora, com toda essa malha de aparelhos potencialmente conectores, deveríamos estar mais próximos, certo?
Errado! De maneira inversa do superficialmente esperado, os aplicativos de redes sociais têm, na verdade, nos afastado cada vez mais. As pessoas se isolam em torno de seus smartphones (de si mesmas) e simplesmente deixam de interagir com outras pessoas. Entre em um ônibus, ou em um metrô e observe a quantidade de pessoas conversando com o mundo, mas “sozinhas” quanto ao ambiente no qual estão inseridas. Ou até mesmo pessoas em uma mesa de restaurante, onde os dedos ávidos e frenéticos não cansam de digitar e digitar, canalizando toda a atenção a ponto de sequer se olhar nos olhos de quem está à sua frente. Conversar então, virou quase lenda urbana!
Não nos relacionamos mais; e dentro dos lares não tem sido diferente, inclusive dos lares cristãos. Pais já não sentem o abraço de seus filhos. Irmãos já não brincam, correm, ou até mesmo brigam entre si (faz parte da infância). Por outro lado, o malfadado smartphone é o presente tão ansiado desde os 4 anos de idade, ou até antes. Há algo muito errado nisso tudo!
Segundo o Dr. Augusto Cury, uma criança de 4 anos de idade tem mais informações que César, quando imperador de Roma. Entretanto, isso não é algo benéfico, dado a quantidade de “lixo” que é gerado em nossas crianças, com muitos dados e pouquíssima informação. Isso produz, segundo o Dr. Cury, stress cerebral, desencadeando cada vez mais cedo a perigosíssima e indesejada ansiedade. Muitos chegam a quase ter um colapso nervoso quando a Justiça, por exemplo, bloqueia o Whatsapp por 12 horas.
Veja, não estou dizendo que a tecnologia é ruim. Ela é bastante útil, inclusive quando não moramos perto das pessoas que amamos. O que estou dizendo é que nossa maneira de a utilizar tem nos afastado e tornado nossos relacionamentos cada vez mais rasos, superficiais e de aparências.
Nos dias atuais, as pessoas se evitam colocando a tecnologia como “facilitador” da interação, mas que, na verdade, trata-se de uma barreira ao relacionamento. Vou tentar dar um exemplo bem lúdico: há pouco tempo atrás, quando um amigo fazia aniversário, era praticamente certo que você iria visitá-lo, dá-lhe um abraço, levar sua família para compartilhar a alegria de estar junto com seu amigo nesse dia tão especial. Atualmente, poucos são os que sequer fazem uma ligação. A grande maioria prefere enviar uma mensagem de parabéns em quantos grupos de Whatsapp o tão “querido” amigo esteja inserido. Veja, mensagens frias e sem o calor da presença têm tomado o lugar da verdadeira interação entre os irmãos. Mensagens que, muitas vezes, são enviadas apenas como mera conduta protocolar.
Isso não é e nem nunca foi Cristianismo! Isso é comodismo, individualismo e falsas aparências que roubam o lugar do tão precioso convívio em comunidade!
Bradamos que somos irmãos, e até mesmo quando alguém nos pede oração, o que rotineiramente fazemos é inserir as famigeradas “mãozinhas unidas” como se isso afagasse, de alguma forma, a alma angustiada de quem está pedindo aquela oração.
Queridos, o próprio Apóstolo João não abria mão de estar junto com as pessoas que ele amava: “Ainda tinha muitas coisas que vos escrever; não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco, e conversaremos de viva voz, para que a nossa alegria seja completa”. 2 Jo 12
Não permita que a frieza das conversas por meio de aplicativos de celular arranquem do seu coração a alegria de estar junto com quem você ama! Não esqueça de estar mais junto de quem é importante para você. Não se engane, mesmo com toda essa tecnologia, você pode estar bem mais longe dos seus amigos do que estaria há 20 anos atrás.
Que Deus te abençoe poderosamente, em nome de Jesus!
“Oh! Quão bom e suave é que os irmãos vivam em união”. Sl 133:1
Hélio Roberto.

Referências:
http://link.estadao.com.br/noticias/gadget,ate-o-fim-de-2017-brasil-tera-um-smartphone-por-habitante-diz-pesquisa-da-fgv,70001744407
Artigo escrito para o site GospelPrime.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O cristão e a música mundana



Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. Fp 4:8



Recentemente, participei de um evento que refletia sobre o que é e a importância da cosmovisão cristã, ou seja, da visão de mundo sob a ótica do Cristianismo. Foram dias fenomenais! Cada palestra mais instigante e edificante do que a outra, e assim se transcorreu a semana.
Entretanto, no último dia, todos os participantes se reuniram para uma espécie de confraternização em um local que eu, na minha ingenuidade, achei que seria apenas uma lanchonete. Ao chegar ao local, percebi que era um barzinho com música ao vivo. Como havia algumas pessoas que estavam de carona comigo, resolvi sentar, comer e então ir embora.
Não obstante o incômodo que o local trazia, pensei que estar junto com os irmãos faria com que o ambiente ficasse mais agradável, afinal, ali estavam pessoas altamente qualificadas e que haviam se comprometido em mudar o mundo, levando os princípios e valores de Cristo!
De repente, o cantor começa a cantar uma música da banda Paralamas do Sucesso. Nessa hora, a maioria esmagadora da mesa (havia cerca de 50 pessoas) começou a cantar, bater palmas e dançar, em sincronia, de um lado para o outro em seus lugares. Olhos fechados, rostos sorridentes e a sintonia das palmas em consonância com a malfadada música era a fotografia do momento.
Irmãos, nesse momento tive vontade de chorar! Meus olhos se encheram de lágrimas. Meu coração ficou apertado. Comecei a falar com Deus dizendo: “Senhor, são essas pessoas que vão mudar o mundo? Eles se esqueceram de que ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus?” Continuei falando com o Senhor: “Será que todos aqui estão certos e eu é que estou errado?” Então o Senhor trouxe ao meu coração, instantaneamente, a Sua Palavra: “(…) Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Tg 4:4
Após esse evento, pude perceber que o liberalismo e a máxima do “tem nada a ver” têm infectado a Igreja e o povo de Deus. É comum se utilizar a declaração de que a Bíblia não nos proíbe nada, sob a perspectiva de que tudo me é lícito, e que imputar proibições seria, na verdade, uma prática legalista. Veja, essa é, na verdade, uma declaração falaciosa. Legalismo, na verdade, é utilizar a Palavra de Deus para pecar. Legalismo é isolar um versículo da Bíblia, e porque este diz, dentro de um contexto, que todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm (1 Co 6:12), esquecer todo o restante da Bíblia. O verdadeiro legalismo é utilizar as Escrituras como meio de justificação para a prática do pecado!
Entrando mais a fundo no cerne desse artigo, têm surgido, de forma reiterada, notícia pós notícia de que cantores do mundo gospel estão entoando músicas seculares, ou até mesmo frequentando shows da mesma espécie. Desde Kleber Lucas, Thales Roberto, Perlla, Priscila Alcântara e agora o vocalista do Oficina G3, Mauro Henrique, as notícias não param de surgir.
O pior é que essa gente tem arrastado um caminhão de incautos. São líderes sem compromisso verdadeiro com Deus, amantes mais dos seus prazeres do que da presença do Altíssimo. Estamos vivendo tempos em que o diabo tem entrado nas Igrejas, tomando a adoração para si; tempos em que não há mais adoração, e sim desejos, pecados, lucros exacerbados e autopromoção.
Daria para escrever um artigo sobre cada um desses “crentes” citados acima, mas quero me ater apenas à justificava do último deles, Mauro Henrique. Ao ser questionado sobre o fato de ter cantado Beatles em determinado show, a sua resposta foi a seguinte: “Essas oportunidades fazem com que as pessoas que têm algum preconceito da religião percebam que não somos bitolados. Tenho uma relação boa com vários artistas seculares. Música para mim, é música1.” E aí está o motivo pelo qual a simbiose de cantores evangélicos com o mundanismo tem se tornado cada vez mais frequente.
O cerne da questão, como sempre, está no coração. A música, de fato, é algo bastante envolvente, e o fato de músicos que se intitulam cristãos sucumbirem à música mundana ocorre porque estes amam mais a música do que a Deus. Para eles, a música dá tanto prazer que, embora não glorifique a Deus, as suas carnes não conseguem resistir. São pouco, ou quase nada, conhecedores da Palavra de Deus, sempre utilizando máximas como “não julgueis” ou “Deus é que é o juiz”, ou ainda “não seja legalista” para justificarem suas práticas cheias de satisfação egocêntrica e mundana. Hipócritas! Não têm qualquer temor ou reverência a Deus.
Falsos cristãos, amantes de si mesmos, amigos do mundo e dos prazeres do mundo! Escarnecem do evangelho e do nome do Senhor Jesus, gerando escândalos e profanando o nome Santo do Senhor, dando mal testemunho e impedindo que o pecador caído se aproxime de Deus! Como a Palavra do Senhor assegura, serão responsabilizados: “E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.” Lc 17:1-2
Deus, segundo a Sua Santa Palavra, procura adoradores em Espírito e em verdade. Aqueles, porém, têm profanado o altar de Deus. Deus não habita em meio ao pecado e a Justiça de Deus não tardará em se cumprir.
Há quanto tempo você não vê um aleijado levantar de uma cadeira de rodas? Há quanto tempo você não vê um cego retomar a visão? Há quanto tempo você não vê um portador de AIDS ser curado? Se é que você viu um dia. Ora, Deus mudou? Decerto que não. Deus continua o mesmo. A verdade é que o povo de Deus, ao contrário do que havia na Igreja primitiva (E em toda alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. At 2:43), não há mais temor ao Senhor. Pessoas têm “saído” do mundo com seus vícios e desejos e não permitem que Deus as liberte. Então começam a subir nos púlpitos para cantar, mas com o coração na MPB, no funk e no pop rock. Não se engane, Jesus disse que onde estiver o seu coração, ali estará o seu tesouro.
A Palavra do Senhor nos garante que Deus não relativizou Sua Santidade. O que ocorreu é que Aquele que é Santo, Jesus Cristo, pagou o preço por todos que lhe têm como Senhor e Salvador. E nestes, habita o Espírito Santo de Deus. Ser templo de Deus significa ouvir a voz do Senhor e permitir que Ele nos transforme. Todavia, aqueles que não têm qualquer convencimento de seus pecados assim o estão por não ouvirem mais a voz do Senhor. Suas consciências estão cauterizadas e, como mortos, já não sentem a dor e a culpa pela prática do pecado. A ira de Deus continua existindo, e tem aumentado a cada dia, até que o cálice da ira de Deus transbordará!
Se você se diz crente em Jesus Cristo e não teve sua mente transformada, libertando-o de seus velhos prazeres, práticas e condutas, sinto lhe dizer que você precisa de conversão. Você pode até ainda não conseguir vencer suas lutas contra o pecado, mas o que não pode acontecer, de maneira nenhuma, é você conviver com o pecado achando que em Jesus você pode fazer o que quiser sem qualquer consequência. É a podridão do pecado não te incomodar mais. É você estar com sua mente cauterizada e dormente. É o mundanismo ser tratado como normal e o santo passar a se misturar com o profano.
O Apóstolo Paulo nos diz que, em Cristo temos nossa mente renovada: “E não vos conformeis com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Rm 12:2. Este termo (renovação) no grego é metanoia, ou seja, completa transformação da mente em Cristo Jesus. Mas atente ao início do versículo: “E não vos conformeis com este mundo”. Conformar com este mundo é tomar a forma do mundo! Faça um exercício voltando ao exemplo no início desse artigo, e reflita: ao ver aquela cena, você diria que se tratavam de pessoas do mundo ou crentes em Jesus?
Ainda com relação à declaração do vocalista do Oficina G3, se ser bitolado é odiar o pecado e o modelo desse mundo, então eu sou sim bitolado, e graças a Deus por isso!
A Bíblia diz: “Apartai-vos de toda aparência do mal”. 1 Ts 5:22. Ora, só a aparência do mal já é algo pecaminoso!
Queridos, a música tem em si uma característica de adoração. Ela penetra no coração! O que tem entrado no seu coração? Você tem guardado seu coração a Deus? Se você ainda tem necessidade de viver as coisas outrora vividas, precisa permitir que Jesus o liberte completamente. Clame a ele e odeie o pecado!
Igreja, clamo com o mais profundo da minha alma: não relativize as verdades de Deus. Não perca tempo com o mundo, nem entregue seu coração àquilo que quer ocupar o lugar do Senhor! A sua comunhão com Deus e a sua eternidade são valiosas demais para serem arriscadas com algo que fará você se parecer com o mundo e com aqueles que escarnecem ao Senhor Jesus!
Apenas a título de exemplo, um dos maiores compositores de música clássica do séc. XIX, Richard Wagner, era satanista declarado, e muitos cristãos o ouvem, sem saber, até os dias de hoje. Cuidado com o que você ouve e adora! Não arrisque. Você tem muito a perder…
Por fim, não conheço um herói da fé que tenha tido profunda intimidade com Deus e tenha perdido tempo com a adoração e o padrão deste mundo!
Que nosso Senhor Jesus te abençoe grandemente e lhe discernimento espiritual para que você não seja enganado por este mundo caído.
Grande Abraço,
Hélio Roberto.

Fonte:
1. https://musica.gospelprime.com.br/mauro-henrique-tributo-beatles/
Artigo escrito para o site GospelPrime.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O cristão, os impostos e o senso de coletividade


Onde está nosso senso de coletividade no tocante à questão tributária?

 

Como dizia C. S. Lewis, o Cristianismo é puro e simples. O problema é que nós, pela dificuldade de abdicarmos de nossas vontades e desejos, tentamos relativizar as verdades de Deus, apresentando pseudo-justificativas às nossas condutas contrárias à Palavra e ao padrão de Deus.

Nesse breve artigo, quero tratar de um ponto bem controverso, mas que se enquadra perfeitamente no parágrafo introdutório acima: a questão do dever de pagar impostos.

Certa feita, com fim de experimentar Jesus, herodianos e fariseus perguntaram-lhe se era lícito pagar impostos: “Dize-nos, pois: que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não?” Mt 22:17. Por detrás da pergunta formulada, havia a intenção de contrapor Jesus perante determinados grupos organizados da época. É que se Jesus dissesse que era lícito, os judeus se levantariam contra ele sob o álibi de que Jesus se submetia inteiramente ao governo de César. Por outro lado, se Jesus dissesse que não era lícito pagar impostos, estaria se associando aos zelotes, grupo revolucionário que se opunha a César, e que era majoritariamente rejeitado pelo povo. Entretanto, a resposta do Mestre foi fenomenal por dois motivos: (1) Jesus conseguiu deixar os seus inquiridores sem resposta; e (2) Jesus nos ensinou que o fato de sermos cidadãos celestiais não anula nossos deveres como cidadãos na Terra. Vejamos a resposta: “Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Mt 22:19-21.

Passando ao cerne do artigo em comento, analisemos a questão do dever de pagar impostos por parte daqueles que são filhos de Deus.

Indo direto ao ponto, o que falta àqueles que se eximem dessa obrigação é, em primeiro lugar: temor a Deus, e em seguida: um verdadeiro senso de coletividade.

Explico. Quando digo que falta temor a Deus significa que os cristãos devem cumprir suas obrigações cívicas por amor e temor a Deus, antes de tudo! Devemos dar bom testemunho como filhos de Deus, além de nos submetermos às autoridades e regras impostas por quem de Direito, desde que não contrariem a Palavra de Deus: “Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.” Rm 13:1-2

Como pode alguém que se intitula cristão sonegar imposto de renda, por exemplo? Arrumar falsos recibos de médicos ou dentistas para fraudar a Receita Federal? Tolos e hipócritas! Acham mesmo que Deus não está vendo? Estão tão embebecidos em suas consciências cauterizadas pelo pecado que nem mesmo conseguem ver a profundidade de seus erros, e não estou nem entrando na questão da mentira em si.

Veja que vexame: um crente em Jesus, pelos motivos do parágrafo anterior, ser pego na “malha fina” pelo órgão fazendário! Com que moral ou autoridade poderemos exortar e confrontar o pecado se muitos de nós sequer cumprem com suas obrigações cívicas? Esse “evangelho de groselha”, fraco, sem consistência e sem mudança de caráter não é o evangelho de Jesus Cristo que durou 2.000 anos!

Outrossim, falta também verdadeiro senso de coletividade. Raramente se vê a questão dos impostos com os “óculos” da coletividade. Veja, quando não se exige o cupom fiscal na padaria ou na farmácia, ou em qualquer outro lugar, é comum que se pense o seguinte: “esse pobre comerciante já paga tantos impostos! Não vou pedir o cupom fiscal. Vou ajudá-lo”. Esse tipo de pensamento está equivocado por dois motivos. Primeiro porque no preço dos produtos já estão embutidos os impostos. Segundo porque quando se deixa de exigir o respectivo cupom fiscal, e, por conseguinte, o regular recolhimento dos impostos por parte do comerciante, está a se lesar toda a coletividade. Veja, você não está beneficiando o vendedor ao fazer isso, você está prejudicando toda a sociedade. Entenda que os impostos recolhidos têm como finalidade a efetivação de políticas públicas que beneficiam toda a sociedade, principalmente os mais carentes que, em sua maioria, dependem dos serviços públicos de saúde e educação, por exemplo.

Quando você deixa de exigir o regular recolhimento tributário por parte do comerciante (por meio da emissão do cupom fiscal), o que você está fazendo é contribuindo para que não haja ambulâncias, viaturas, computadores nas escolas e vacinas nos postos de saúde. Não se engane, você é tão responsável por não exigir a nota, quanto aquele que deixa de emiti-la.

Observe a questão teleológica1 das ações do Governo de alguns estados quanto à questão tributária. Em alguns estados, como ocorre aqui no Distrito Federal, o Governo implementou uma política de incentivos ao cidadão que insere o seu CPF no cupom fiscal. Segundo essa política pública, parte do imposto recolhido é revertido individualmente àquele que exigiu a emissão do cupom fiscal e inseriu o seu CPF.

Veja, é necessário que o Governo incentive as pessoas a exigirem os cupons fiscais tocando em um dos pontos mais decadentes do ser humano: o individualismo. Sabendo que as pessoas se preocupam, originariamente, com seus próprios “umbigos”, o Governo direciona as pessoas a exigirem os cupons fiscais, ao estimular características egocêntricas do ser humano, afinal, eu vou exigir o cupom fiscal porque terei desconto no meu IPVA ou no meu IPTU. Percebe o individualismo?

Não estou dizendo que você não deva aderir a essas políticas públicas implementadas. O que estou dizendo é que, antes de pensar em receber algo para si mesmo, pense nos benefícios que serão trazidos à toda coletividade. Exija o regular recolhimento dos impostos devidos por consciência cívica de que estes impostos beneficiarão todo o país, em especial os mais carentes. Traga em seu coração a preocupação coletiva antes da individual. Se somos cerca de 40% da população brasileira (evangélicos), devemos começar a tomar atitudes que verdadeiramente mudarão a realidade de nosso país. Vivamos Cristo em nosso dia-a-dia.

É bem verdade que a carga tributária brasileira é altíssima. Mas não é sonegando que esta questão será resolvida. Isso será resolvido por meio de educação cívico-política, em que, pelo exercício legítimo da cidadania, conseguiremos influenciar as normas e leis de nosso país.

Por fim, é comum ouvirmos, daqueles que não querer arcar com o dever de pagar impostos, justificativas como: “os políticos utilizam nossos impostos para corrupção”.  Mas será mesmo que o erro da corrupção deve ser motivo suficiente para que incorramos no erro da sonegação? Penso veementemente que não!

Que Deus te abençoe grandemente, em nome de Jesus!

Grande Abraço,

Hélio Roberto.

Referências:
1. Método interpretativo que visa a entender a finalidade e o objetivo de uma norma.


Fonte: Artigo escrito para o site GospelPrime.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Estatuto do Nascituro e a perspectiva cristã


Abre a tua boca em favor dos que não podem se defender; sê o protetor dos direitos de todos os desamparados! Pv 31:8


Esse artigo tem por objetivo esclarecer alguns pontos atinentes ao Projeto de Lei que visa instituir o Estatuto do Nascituro, bem como tecer algumas reflexões quanto à posição daquele que é salvo em Cristo Jesus ante a esta matéria.
De início, é importante ressaltar que o ansiado Estatuto do Nascituro ainda não foi aprovado pelo Congresso Nacional. Esta propositura legislativa tramita, atualmente, na Câmara dos Deputados sob o seguinte número: Projeto de Lei – PL nº 8.116/2014.
O PL 8.116/2014, na verdade, trata-se de um substitutivo ao PL 478/2007, o qual, ao propor a instituição do Estatuto do Nascituro, foi aprovado pela Comissão de Seguridade Social e Família – CSSF, da Câmara dos Deputados, em 19/05/2010. Entretanto, como o Deputado que propôs este PL (478/2007) não se reelegeu, o PL acabou por não ser encampado por nenhum outro parlamentar naquela legislatura.
Desta feita, foi apresentado pelo Deputado Alberto Filho o PL 8.116/2014, que trazia à baila e inseria novamente no processo legislativo a questão do Estatuto do Nascituro.
É necessário, inicialmente, conceituar-se o que seria nascituro. Segundo o próprio PL 8.116/2014 (doravante PL), nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido (art. 2º).
O art. 3º, §1º desse PL prevê que “Desde a concepção são reconhecidos todos os direitos do nascituro, em especial o direito à vida, à saúde, ao desenvolvimento e à integridade física e os demais direitos da personalidade. Esse dispositivo é paradigmático, dado que garante o Direito à vida ao nascituro, bem como à sua integridade física. Isso significa a proibição, como regra, da violação dos direitos do nascituro através de eventuais políticas públicas posteriores.
Ainda na análise desse PL, o art. 4º preconiza: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao nascituro, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, ao desenvolvimento, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à família, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Veja, esse dispositivo proíbe toda e qualquer violência, crueldade e opressão contra o nascituro.
O PL aduz, ainda, que é expressamente vedado causar qualquer dano ao nascituro em virtude de atos praticados por seus genitores, ou seja, por que o bebê teria que pagar com a própria vida pela ação, ainda que desprezível e reprovável, de um dos seus genitores? Ora, penalizar o bebê por ato de um dos seus genitores contraria, inclusive, o princípio do caráter personalíssimo da pena, ou seja, um ser humano não pode pagar a pena pelo ato delituoso cometido por outra pessoa. Nesse prisma, não faz sentido, além de ser ilegal, punir com a morte o bebê em função de uma ação de quaisquer de seus genitores.
Outrossim, o PL reza, em seu art. 13, o seguinte:
“O nascituro concebido em decorrência de estupro terá assegurado os seguintes direitos, ressalvados o disposto no Art. 128 do Código Penal Brasileiro:
I – direito à assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico da mãe;
II – direito de ser encaminhado à adoção, caso a mãe assim o deseje.”
Veja como esse PL é revolucionário e de grande valor. Garantem-se ao nascituro os direitos de assistência pré-natal e o direito de encaminhamento à adoção, de modo que as mães não sejam impelidas a assassinar seus próprios filhos pelo fato de a gravidez ser indesejada.
Além disso, o PL prevê que, identificado o progenitor no caso de estupro, estaria este obrigado a pagar pensão alimentícia, sem que haja direito de paternidade. Assim, passa-se a responsabilizar aquele que é o autor do ato delituoso (estupro), mas sem punir quem não deu causa àquele ato ilícito (o bebê).
Todavia, não pense que o Estatuto do Nascituro não é atacado pelos movimentos feministas e de esquerda. O PL estava pronto para passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania– CCJC da Câmara dos Deputados; entretanto, por meio de uma manobra ardilosa, no dia 28/06/2017, ele foi encaminhado para a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – CMULHER, cujo objetivo é nada mais nada menos que engavetar ou alterar de forma fatal o teor do Estatuto do Nascituro. Fazem parte desta comissão deputadas controversas como a Dep. Maria do Rosário e a Dep. Érica kokay, ambas ferrenhas defensoras da descriminalização do aborto.
É necessário que o PL tenha sua tramitação continuada e não seja engavetado nesta comissão, para que avancemos rumo ao estanque dessa cultura de morte gerada pelo aborto no Brasil.
Mas por que escrever este artigo? A resposta é simples e objetiva: precisamos começar a nos posicionar, de forma legítima, na esfera pública em defesa dos princípios que regem nossas vidas. A Palavra do Senhor diz: Abre a tua boca em favor dos que não podem se defender; sê o protetor dos direitos de todos os desamparados!” Pv 31:8
É inadmissível que tenhamos uma vida dupla, ou seja, sermos um dentro da Igreja e outro na esfera público-social. Devemos, de forma legítima e legal, exercer nosso direito fundamental de expressão quanto à tramitação de projetos de lei, além de efetivar nossas garantias políticas quanto ao acompanhamento dessas demandas, com a devida influência junto aos parlamentares que nós mesmos elegemos.
Precisamos viver a cosmovisão cristã que cremos, a qual, conforme conceitua o preclaro Prof.º Jonas Madureira: “É o compromisso do coração que determina a estrutura de plausabilidade do mundo”, ou seja, é a forma com a qual o mundo tem sentido para cada um de nós. Não é possível que nos intitulemos cristãos se essa forma de ver o mundo (cosmovisão cristã) não estiver intrinsicamente ligada à cada esfera de nossas vidas, seja pública ou privada. Ademais, é dever de cada um de nós exercer legitimamente nossos direitos e prerrogativas constitucionais.
Por fim, faço um apelo a todos os que são filhos de Deus: tomemos parte nesta luta em favor dos valores cristãos! Insiro o link com os contatos de todos os Deputados Federais no Brasil (http://www2.camara.leg.br/deputados/pesquisa). Acesse este link e encaminhe a seguinte mensagem ao parlamentar que você elegeu (ou outra mensagem que brotar no seu coração, lembrando que a mensagem abaixo é apenas uma sugestão):
“Prezado Deputado(a), venho por meio desta mensagem, acreditando que Vossa Excelência exerce de maneira representativa os interesses de seus eleitores, solicitar sua atuação ativa e permanente no sentido da aprovação do Estatuto do Nascituro, de maneira que estanquemos a cultura de morte gerada pelos interesses abortistas no Brasil. Como seu eleitor, certo de sua atuação, como condição necessária para que o meu voto continue sendo depositado em Vossa Excelência, agradeço, desde já, o atendimento desta solicitação. Estarei acompanhando a atuação de Vossa Excelência nesse sentido, certo de sua atuação esmera e veemente quanto a esta matéria.
Atenciosamente,”
Que Deus abençoe a todos, gerando em cada um de nós a força do Senhor, de maneira que saiamos do comodismo e da inércia, e que, de forma legítima, reivindiquemos a aplicação de nossos princípios, de modo que nossa sociedade seja moldada através dos princípios de nosso Senhor Jesus, por meio dos quais vivemos e alcançamos a verdadeira paz.
Graça e Paz!
Hélio Roberto.
Twitter: @heliorsousa

Fonte:
1. Academia da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos – ANAJURE.
2. Palestra da Professora Lenise Garcia, no Academia ANAJURE.
3. Artigo escrito para o site GospelPrime.

domingo, 25 de junho de 2017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Papa Gregório, purgatório e o perigo das superstições


Cuidado com as superstições momentâneas e factoides!


O objetivo desse artigo é elucidar aos irmãos na fé em Cristo quanto à origem do dogma católico do purgatório, bem como seus perigos e afrontas às Sagradas Escrituras.
Não obstante o dogma católico do purgatório ter sido declarado através dos Concílios de Florença (1.431 – 1.438) e de Trento (1.545 – 1.563), sua origem remonta há quase mil anos antes. Foi por meio do papa intitulado: Gregório, o Grande, que a doutrina do purgatório começou a ganhar corpo.
O papa Gregório esteve à frente da igreja romana entre os anos de 590 a 604 d.C. Eleito em um período de declínio político, social e religioso na região da Itália, o papa Gregório assumiu o posto de líder da igreja católica após a morte do papa Pelágio II, morto em função da peste que assolou a região. É importante ressaltar que, nesse período, o papado ainda se submetia, em certa medida, ao poder temporal dos imperadores.
Como Constantinopla (sede do império) era omissa quanto à política e necessidades de Roma, o papa Gregório assumiu o vácuo deixado pelo império, sendo considerado o precursor do poder temporal do papado, assumindo atividades como o pagamento dos soldados, a provisão alimentar dos pobres, bem como a imposição das questões teológicas do catolicismo, a serem seguidas pelos bispos sob a égide da igreja católica.
Nesse contexto, o papa Gregório, com grande habilidade política, agraciou com títulos eclesiásticos diversas autoridades políticas locais, como moeda de troca para que suas doutrinas fossem impostas pelos imperadores em suas respectivas áreas de jurisdição. Foi assim que o papa Gregório conseguiu implantar suas ideias nas regiões influenciadas pela igreja católica.
É bem verdade que este papa nunca foi um grande pensador do ponto de vista teológico. Ele mesmo se intitulava discípulo de Agostinho, tendo os ensinos e conjecturas de seu mestre como verdade absoluta, contrariando a própria postura de Agostinho (que apenas refletia sobre determinados pontos, sem fechar uma posição).
Como Agostinho certa feita chegou a conjecturar que poderia haver um local de purificação dos mortos, sem apresentar uma conclusão fechada sobre essa questão, Gregório se apodera dessa divagação agostiniana e passa a apregoar que essa era uma verdade absoluta! De fato, este papa, conquanto sua notável habilidade política, era um homem deveras supersticioso, que se deixava levar por todo vento de superstição, como uma folha que é levada sem qualquer rumo certo pela força do vento. Para Gregório, esse “vento” eram suas diversas superstições.
Antes de continuar a exposição, precisamos apresentar como o catecismo católico apresenta o dogma do purgatório, vejamos:
“1030. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.” (grifos nossos)
Como se pode depreender do item acima, extraído do atual catecismo católico, o purgatório seria o local no qual aquele que morre em comunhão com Deus deve passar um período de castigo ou pena para que esteja em santidade suficiente para entrar no céu.
Conforme nos ensina o egrégio Prof.º Justo L. Gonzalez, segundo a visão gregoriana, a forma como se poderia oferecer uma satisfação a Deus pelos pecados se dava através da penitência, que se subdividia em 3 fases: arrependimento, confissão e pena ou castigo, o que, em conjunto com o perdão sacerdotal, confirmava o perdão de Deus. Assim, segundo o dogma do purgatório, era necessário o cumprimento do castigo ou da pena para que o perdão fosse completo.
Além disso, segundo o dogma do purgatório, o famigerado local de sofrimento só teria uma saída: o céu, devendo passar pelo purgatório todos aqueles que se arrependeram e confessaram os seus pecados, mas não pagaram as respectivas penas ou castigos.
Vencida esta exposição necessária ao esclarecimento do que é o dogma do purgatório, vamos à sua breve análise, segundo as Escrituras Sagradas.
O principal problema do dogma do purgatório é que ele diminui a eficácia do sacrifício salvífico de Cristo. A obra expiatória de Jesus na cruz foi plena e suficiente para nos livrar de toda e qualquer condenação, conforme o próprio Ap. Paulo declarou: “Portanto, nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus.” Rm 8:1 (grifos nossos)
Desde quando Deus se agrada em levar seus filhos ao sofrimento? E desde quando o sofrimento e a penitência nos purificam de alguma coisa? O único que tem poder de nos limpar de todo pecado é o sangue de Jesus, e não um local de sofrimento e dor, como se isso tivesse alguma eficácia. O que há após a morte é o juízo de Deus, seja para o céu, seja para o inferno: “E, como aos homens está ordenado morrerem apenas uma só vez, vindo depois disso o juízo.” Hb 9:27 (grifos nossos)
Precisamos entender como a mera superstição de um papa (Gregório) foi capaz de instituir um dogma sem qualquer fundamentação bíblica, que na verdade mitiga a obra expiatória de Jesus.
Quando o dogma do purgatório foi formalmente declarado através dos Concílios de Florença e Trento, ele já estava instituído de fato nos mosteiros e paróquias da igreja romana, dado que sua imposição se iniciou, como vimos acima, com o papa Gregório, no final do séc. VI. O que os Concílios fizeram foi apenas formalizar o que já era crido e praticado nos locais sob jurisdição da igreja católica.
Não é à toa que precisamos sempre recorrer, como última ratio regis, à Bíblia Sagrada em matéria de fé e doutrina, para que não venhamos a ser levados por superstições momentâneas e factoides, institucionalizando dogmas contrários às Escrituras e à verdade de Deus posta na Bíblia.
Segundo a Bíblia, que é a Palavra de Deus, não existe qualquer purgatório! Isso nunca foi ensinado por quaisquer dos pais da Igreja. Não há nenhum fundamento bíblico.
Portanto, creia no alcance expiatório de Jesus Cristo; arrependa-se dos seus pecados, e não acredite que haverá qualquer redenção pós-morte, pois é uma grande mentira. Viva esta vida em completo amor a Deus, com a plena consciência de que se confessarmos nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos livrar de toda iniquidade, sem a necessidade de absolutamente mais nada, pois Jesus já pagou o preço dos meus e dos seus pecados!
Que Deus te dê entendimento e que a luz do Evangelho resplandeça sobre os seus olhos!
Graça e Paz!
Hélio Roberto.
Twitter: @heliorsousa
Referências:
  1. http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap3_683-1065_po.html
  2. GONZALEZ, Justo L.. Uma História Ilustrada do Cristianismo: A Era das Trevas. Vol 3

Fonte: Artigo escrito para o site GospelPrime.

sábado, 17 de junho de 2017

Chantageadores de Deus


Como pode o homem, que é pó, achar que pode "pressionar" a Deus?


A falta de relacionamento com Deus gera pouco, ou nenhum, conhecimento do caráter de Deus. Como consequência disso, tomam-se como verdadeiras uma série de condutas diante de Deus que, na verdade, contrariam de forma brutal a essência do Senhor apresentada nas Escrituras Sagradas.
O famoso “evangelho da barganha“, tão em voga nos dias atuais, evidencia que muitos que se dizem seguidores de Jesus, na verdade, nunca conheceram o bom Mestre!
O mais alarmante, e já previamente avisado por Cristo, é a quantidade de “pastores” e “líderes” que ensinam de forma deliberada que o crente tem “direitos” diante de Deus, devendo exigir do Criador aquilo que deseja. Comum é alguns chegarem a “ameaçar” a Deus caso o pedido apresentado não seja atendido. Apresentam discursos de que não mais servirão a Deus caso Ele não atenda à respectiva petição. Isso é tão absurdo! Desde quando Deus precisa de alguma coisa? Aquele que se afasta Dele é que está fadado à maior pena de toda a existência: a ausência do Amado e Maravilhoso Espírito Santo!
Não obstante, os incautos esquecem, ou mesmo nunca observaram o texto que diz: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” Rm 9:15,16
Como pode o homem, mero mortal, achar que pode “exigir” alguma coisa de Deus, o Ser mais Absoluto, Supremo e Perfeito de toda a existência? Isso reflete a reiterada tentativa de diminuir Deus, por parte de alguns líderes, impedindo que suas ovelhas conheçam de forma verdadeira ao Deus Todo-Poderoso.
O Evangelho que durou 2.000 anos não é esse “evangelho” mercantilista e interesseiro! Ser cristão no início do Cristianismo significava risco de morte! Não havia conversão a Cristo sob a ótica de ganhar qualquer coisa, mas sim pela completa rendição ao Senhor Jesus, ainda que isso significasse ir para a fogueira ou ser lançado às feras no Coliseu.
Precisamos dizer NÃO a estas mentiras diabólicas apregoadas por muitos que se dizem cristãos. Obviamente, Deus é abençoador e tem prazer em abençoar seus filhos. Mas ninguém, absolutamente ninguém, tem qualquer direito de exigir qualquer coisa que seja de Deus. Isso apenas constata um relacionamento raso e superficial com Deus, ou até mesmo, sua completa ausência, como o próprio Cristo disse: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” Mt 7:21-23
O verdadeiro servo de Deus adora ao Senhor pelo que Ele é, e não pelo que Ele pode dar. Sejamos como os 3 amigos de Daniel, que diante da ameaça de serem queimados vivos pelo rei Nabucodonosor bravamente bradaram que, se Deus quisesse, Ele os livraria, mas se não quisesse, ainda assim eles não adorariam à estátua de Nabucodonosor, ou seja, não negariam sua adoração a Deus: “Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. Dn 3:17,18
Queridos, sejamos verdadeiros adoradores, e não interesseiros que em nada conhecem a Deus e desejam apenas chantagear ao Senhor, como se isso fosse de alguma forma possível. Não passam de incautos e loucos apartados da presença de Deus. Cegos sendo guiados por lobos e mercenários da fé. Que o Senhor guarde seu coração desse mal!
Graça e Paz!
Hélio Roberto.
Twitter:@heliorsousa

Fonte: Artigo escrito para o GospelPrime.

sábado, 10 de junho de 2017

Fé vs Ansiedade


Viva em fé e tenha paz! 

Confira essa curta mensagem acima e que Deus te abençoe grandemente, em nome de Jesus!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Satanás não se opõe à boa moral


Satanás é contra o nome de Jesus!


Recentemente, assisti um filme1 extraordinário em que um professor de uma universidade teológica decidiu escrever um livro no qual ele defendia que seria perfeitamente válido ensinar os mandamentos de Jesus, sem dizer que o autor desses ensinos é Cristo, até que outro professor discorda e se opõe à tese levantada pelo seu colega.
Infelizmente, essa tem sido a postura de muitos no meio Cristão. No cerne da questão estaria a premissa de que a sociedade cresceria moralmente se aqueles que não aceitam Jesus ao menos aceitassem os seus ensinamentos. O álibi de que atribuir a Jesus determinados ensinos pode gerar resistência por parte dos ouvintes, já que estes não querem saber de Jesus, e que a melhor alternativa seria passar os ensinamentos de Cristo, mas sem citar o Autor, trata-se de um tremendo erro!
Veja, Satanás não está nem um pouco preocupado com a boa moral, mas sim com o nome de Jesus, ou seja, Satanás se opõe ao nome de Jesus. Quando dizemos a uma criança que é errado mentir, mas não a dizemos que é errado mentir porque Jesus assim o disse, então a mentira passa a ser relativizada, já que carece de uma autoridade por detrás. O que quero dizer é que, sem citar a autoridade de Cristo, enquanto mentir é uma conduta imoral para determinada pessoa, é moral para outra, ou seja, a moralidade passa a ser uma questão de opinião, e opinião cada um tem a sua!
Quando a boa moral se aparta da autoridade de Cristo, as pessoas passam a achar que fazer coisas boas e corretas é suficiente para que se aproximem de Deus, e isso é um terrível engano! Quantas vezes ouvimos pessoas que não se renderam a Cristo dizer: “Mas eu sou uma boa pessoa”, ou “Eu nunca matei ninguém”, ou mesmo “Eu ajudo os necessitados, por que Deus não me salvaria?”. A partir desse tipo de raciocínio falacioso, os incautos acham que o simples exercício da boa moral, sem Jesus, lhes é suficiente para salvação. Eis, então, o motivo pelo qual Satanás tem trabalhado vorazmente para que o nome de Jesus seja apartado de seus ensinos!
Certa feita, Dostoievski disse que “se Deus não existe, então tudo é permitido”. Se a nossa moralidade não estiver fundada em Cristo, ela não serve de absolutamente nada! Se nossas condutas morais não estiverem fundadas em Jesus, certamente elas perecerão com o tempo e não mais direcionarão nosso agir.
Lembre-se de como era o cinema americano na década de 1920. Nesse período, havia um comitê de análise do conteúdo dos filmes, antes de suas publicações: Motion Picture Association of America (MPAA). Em seguida, decidiu-se retirar o nome de Jesus dos cinemas, mas manter os seus ensinos. Qual foi o resultado disso? A moral ensinada por Cristo permaneceu por um período, mas logo foi relativizada, dado que, após um tempo, ninguém mais se lembrava qual a autoridade que estava por detrás de determinado preceito, preceito este que passou a ser uma questão de opinião individual. Essa foi a grande estratégia de Satanás: retirar o nome de Jesus das artes, das escolas e da Academia.
De forma semelhante ocorreu com as escolas. Proibiu-se que se falasse de Jesus nas salas de aula americanas, restando o humanismo e a moralidade relativizada, ainda que por um tempo tal moralidade estivesse de acordo com os ensinos de Cristo, o que não tardou a se perder.
Falar que roubar é errado porque Jesus assim o disse traz consigo a autoridade do Autor na assertiva proibitiva. Caso contrário, você pode vir e dizer a uma criança: “Roubar é pecado”, e ela vir a te responder: “Quem foi que disse?”
Vivemos em uma sociedade em que os valores estão totalmente invertidos/relativizados. Pais já não são mais respeitados pelos seus filhos; professores são chacoteados pelos alunos; policiais são afrontados em suas atividades; pessoas mais velhas são humilhadas a todo momento. E por que isso? Porque os preceitos de Jesus já não são ensinados com a autoridade do Autor, que é o próprio Cristo.
Não se engane, Satanás não se opõe à boa moral, mas sim ao nome de Jesus! Pessoas têm deixado de citar Jesus, como se citar o nosso Mestre fosse um demérito ou sinal de anti-intelectualismo, e esse tem sido a grande estratégia do diabo para tirar o nome de Jesus das artes, da escola, da família e das relações sociais.
Não tenha receio de dizer: “Jesus disse isso!” Nosso Senhor Jesus é a fonte de toda autoridade, e somente o nome Dele tem representatividade suficiente para evitar que seus ensinos sejam relativizados ou eliminados!
Moral sem Jesus não é moral, é opinião. A verdadeira moral só tem sentido se vier chancelada pelo nome de Jesus, pois somente assim ela não perecerá com o tempo. Por fim, lembre-se que os ensinos de nosso Mestre são fonte de vida, alegria, paz e felicidade!
Que Deus te abençoe grandemente, em nome de Jesus!
Grande Abraço,
Hélio Roberto.
Twitter: @heliorsousa

Referências:
  1. Filme: “A Jornada”.


Fonte: Artigo escrito para o site GospelPrime.