segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Reforma Protestante: Causas e consequências - Parte 1


“Por isto, nem o papa é a cabeça, nem são os cardeais o corpo da igreja santa, católica e universal. Porque somente Cristo é a cabeça, e seus predestinados o corpo, e cada um membro deste corpo”. John Huss


Em 31 de outubro de 2017 comemoramos os 500 anos da Reforma Protestante, um dos acontecimentos mais notáveis da História do Cristianismo, tanto no aspecto teológico, quanto no político.
Dividiremos a análise desse evento tão importante para o Cristianismo em 3 partes, cuja primeira passamos a explanar a seguir.
Tão importante quanto conhecer o teor da Reforma Protestante, é conhecermos o contexto histórico da época em que ela foi deflagrada. A Europa vivia tempos de profunda decadência espiritual, arraigada por uma Igreja corrupta e cuja liderança era devassa, pouco vocacionada e mais política do que religiosa.
É desta época a citação do colendo Prof.º Justo Gonzalez, respeitável historiador espanhol, que, ao retratar a situação eclesiástica da Espanha no final do séc. XV, teceu as seguintes palavras: “…Os filhos bastardos dos bispos se moviam no meio da nobreza, reclamando abertamente os sangue de que eram herdeiros. Até o digníssimo dom Pedro Gonzáles de Mendonza, que sucedeu a dom Alonso Carrillo como arcebispo de Toledo, tinha pelo menos dois filhos bastardos. (…) Se isso ocorria no alto clero, a situação não era melhor entre os padres paroquianos, muitos dos quais viviam publicamente com suas concubinas e filhos. E visto que tal situação não tinha a permanência do casamento, eram muitos os sacerdotes que tinham filhos de várias mulheres.” (GONZALEZ, 2011).
Não por surpresa, o papa do momento acima narrado, era o famoso Alexandre VI (Rodrigo Borja), considerado um dos papas mais corruptos da história do papado. Tinha várias amantes e filhos, reconhecidos e bastardos. Homem que se vendia facilmente, ora agradando à Isabel, a Católica – Rainha de Castela, ora se aliando à Franca, inimiga declarada de Isabel. Quem pagava mais, de pronto alcançava as graças do ambicioso papa.
Como forma de agradar a rainha de Castela, Isabel, nesse período foi concedido à coroa espanhola a autorização para que esta iniciasse a sanguinolenta inquisição católica, conhecida à época como inquisição espanhola. Nesse tempo, a criatividade dos “detentores do poder espiritual” para torturar era sem medida. Citarei, a título de informação, os 5 mais famosos meios de tortura utilizados pela Igreja Católica no período da inquisição:
Cadeira da Inquisição: tratava-se de uma cadeira de madeira maciça com cerca de 2.000 pregos e tiras de couro para amarrar o “herege”. Sentava-se o inquirido na cadeira, onde os 2.000 pregos perfuravam todo o corpo do acusado. Era comum, ainda, que os requintes de crueldade chegassem a tal ponto de os pregos serem esquentados para que os furos durassem mais tempo. Segue a foto desse cruel instrumento de tortura:

Berço de Judas: Tratava-se de uma pirâmide de madeira, na qual o “herege” era jogado nu, após ser suspenso por cordas, de modo que fosse empalado. Ocorria de duas formas, podendo o acusado ser lançado de uma vez, ou ser solto lentamente, de maneira que fosse rasgado da região do reto até à pélvica. Segue a imagem do berço de Judas, tão utilizado pela inquisição católica:

Caixão da Tortura: Tratava-se de uma gaiola de metal, na qual os acusados de blasfêmia eram suspensos em plena praça pública, lá ficando até morrer, e, então, acabavam por serem comidos por animais carniceiros. Segue a imagem do referido caixão:

Arranca Seios: Essa ferramenta era esquentada e utilizada para arrancar os seios de mulheres acusadas de aborto e adultério. Os seios eram arrancados e a vítima sangrava até a morte. Veja a imagem dessa ferramenta:

A pera: Essa ferramenta era utilizada no início das torturas. Ela era inserida na vagina das mulheres, ou na boca do torturado, e ia-se abrindo até dilacerar as mulheres, ou quebrar o maxilar do acusado. Veja a foto:

Essas ferramentas de tortura foram utilizadas no auge da Inquisição Católica, período imediatamente anterior à deflagração da Reforma Protestante. É de se admirar que os ferrenhos defensores do catolicismo romano critiquem o movimento reformista, o que, de certo modo, os torna silentes e tacitamente ratificadores das barbáries praticadas pela Igreja Católica.
Ainda quanto ao contexto teológico da época, cerca de 70 anos do evento das 95 teses, o que é pouquíssimo tempo do ponto de vista histórico, o papa Nicolau V, em 18 de junho de 1452, editara uma bula intitulada Bula Papal Dum Diversas, por meio da qual este outorgara ao rei Português Afonso V o poder de escravidão no norte da África. Era vastamente conhecido o interesse do monarca português de dominar a região norte da África. Para tanto, encontrou guarida na autoridade papal para escravizar aquela população local. Veja o que ela diz:
“(…) outorgamos por estes documentos presentes, com a nossa Autoridade Apostólica, permissão plena e livre para invadir, buscar, capturar e subjugar sarracenos e pagãos e outros infiéis e inimigos de Cristo onde quer que se encontrem, assim como os seus reinos, ducados, condados, principados, e outros bens […] e para reduzir as suas pessoas à escravidão perpétua.”
A justificativa à época era que os pagãos não tinham alma, vez que estas pairavam por sobre suas cabeças. Assim, por não terem alma, não eram filhos de Deus, o que chancelava a sua escravidão livre e deliberada. E ainda há incautos que insistem em arrazoar que a instituição Igreja Católica Apostólica Romana corresponde ao corpo místico de Cristo, esquecendo-se, ou fazendo questão de olvidar, que a Igreja de Cristo são as pessoas que o tem como Senhor e Salvador, e não uma instituição governada por homens, sejam quais forem eles. Como apregoa as Escrituras: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” At 2:21
Ademais, as imposições e opressões protagonizadas pelo alto e baixo clero eram como uma moenda psicológica ante uma população majoritariamente pouco instruída e que carregava séculos de tradição supersticiosa gerada pelas ameaças de inferno por parte do pouco confiável clero católico.
Para entender o porquê de a população em geral ter pouco ou quase nenhum conhecimento bíblico, faz-se necessário viajar para quase 4 séculos antes da Reforma Protestante, em que o Papa Inocêncio III, em 12 de julho de 1199, na carta denominada “Cum ex iniuncto” aos habitantes de Metz, proíbe a leitura da Bíblia por parte dos leigos, ou seja, de todo aquele que não fosse sacerdote. Confira:
“O nosso venerável irmão, o bispo de Metz, nos fez saber com suas cartas que, seja na diocese, seja na cidade de Metz, uma considerável multidão de leigos e de mulheres, de certo modo atraída pelo desejo das Escrituras, fez traduzir em língua francesa os Evangelhos, as cartas de Paulo, o Saltério, os “Moralia in Iob”, de Gregório Magno e diversos outros livros; … assim, porém, aconteceu que em assembleias secretas os leigos e as mulheres presumem arrotar entre si tais coisas e pregar uns aos outros, e nem aceitam a companhia daqueles que não se associam a tais coisas (…) Também se o desejo de entender as divinas Escrituras e o zelo de exortar em conformidade com estas não mereça repreensão, mas antes, recomendação, tais porém parecem merecer censura, porque celebram pequenas reuniões próprias, usurpam para si o ofício da pregação. (…) Os abscônditos mistérios da fé não devem, porém, ser colocados à disposição de todos sem distinção, dado que não podem ser compreendidos de modo indistinto por todos, mas somente por aqueles que podem acolhê-los com uma inteligência crente. (…) Por isso, naquele tempo foi corretamente estabelecido na lei divina que o animal que tivesse tocado o monte Sinai fosse apedrejado, para que evidentemente um simples qualquer ou alguém sem instrução não presuma penetrar na sublimidade da sagrada Escritura ou pregá-la a outros. (…) Sendo pois na Igreja a categoria dos doutores de certo modo singular, não deve qualquer um de modo indistinto reivindicar para si o encargo da pregação.”
Essa carta papal simplesmente dizia que os leigos eram incapazes de conhecer as verdades de Deus nas Escrituras, devendo isto ficar a cargo, exclusivamente, do clero. Ora, o povo sequer podia ler a Bíblia, como então contestaria as heresias e mazelas praticadas por muitos dogmas instituídos pela Igreja dominante da época? O Catolicismo Romano já estava tão apartado do verdadeiro evangelho que desconsiderava que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor, e que o Espírito Santo fala e instrui no mais íntimo de um coração temente a Deus.
Todavia, como Deus tem controle de todas as coisas, Martinho Lutero era monge e professor de Teologia, motivo pelo qual teve acesso às Escrituras Sagradas, inclusive nas línguas originais. E esse foi o evento mais marcante na vida de Lutero: poder conhecer verdadeiramente a vontade e a Palavra de Deus, percebendo que muitos dos dogmas pregados e vividos naquele momento eram meios de manipulação do povo, que em nada tinham afinidade com a mensagem de Cristo.
É bem verdade que Lutero não queria criar uma nova religião, mas corrigir as práticas heréticas do catolicismo romano. Nesse sentido, era comum à época a realização de um debate em praça pública sempre que houvesse uma divergência teológica sobre determinado ponto, de modo que o povo pudesse conhecer as duas posições divergentes. Nesse prisma, Lutero desafia o papa Leão X a um debate em praça pública para dirimir as controvérsias levantadas. Obviamente, o papa não compareceu, o que levou Lutero, no dia 31 de outubro de 1517, a afixar, na porta da Igreja de Wittenberg, suas 95 teses que combatiam as heresias dominantes, estas que iam de encontro à Palavra de Deus, contrariando o que Jesus ensinou, criando dogmas humanos eivados de pecados, sede de poder e deterioração do clero, além de impedir os pequeninos de verdadeiramente conhecerem a Deus. Estava oficialmente deflagrada a Reforma Protestante. Continuamos no próximo artigo…
Que Deus te abençoe grandemente, em nome de Jesus!
Hélio Roberto.
Referências:
GONZALEZ, Justo L.. Uma História Ilustrada do Cristianismo: A Era dos Sonhos Frustrados. Vol 5;
GONZALEZ, Justo L.. Uma História Ilustrada do Cristianismo: A Era dos Reformadores. Vol 6.
Fonte: Artigo escrito para o site GospelPrime.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Aviso: mudança de endereço do blog


Pedofilia travestida de “arte”


Abre a tua boca em favor dos que não podem se defender; sê o protetor dos direitos de todos os desamparados! Pv 31:8


É impressionante como o Brasil tem caminhado desastrosamente ao incentivo à pedofilia, esta que tem sorrateiramente se apresentado travestida de “arte”. Isso é uma covardia sem precedentes em nosso país!
Recentemente, dado a grande repercussão nas redes sociais, o Banco Santander decidiu encerrar a exposição intitulada “Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, em função do repúdio da população brasileira diante da covarde e sofismática tentativa de erotizar crianças, com imagens retratando bestialidade e pedofilia.
Mas não pense que as coisas pararam por aí. O Ministério Público Federal da 4ª Região, por meio do Procurador da República Fabiano Moraes, editou uma peça jurídica1 ao Banco Santander recomendando a reabertura da exposição, sob pena da adoção das medidas judiciais cabíveis. Os argumentos trazidos na recomendação são completamente sem consistência, esquecendo-se do dever de tutela àqueles que mais precisam da atuação do Ministério Público, ou seja, as crianças.
Proclama a famigerada recomendação: “CONSIDERANDO que as obras que trouxeram maior revolta em postagens nas redes sociais não tem qualquer apologia ou incentivo à pedofilia, conforme manifestação pública, divulgada por diversos meios de comunicação, dos Promotores de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul com atribuição na garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes que estiveram visitando as obras.” (grifos nossos)
Veja que absurdo! Parece que o douto procurador não viu ou faz questão de olvidar o conteúdo das obras da exposição em comento. Quer dizer que os termos “Criança viada travestida” não têm conteúdo erótico? No momento em que se justapõem na mesma frase os termos “Criança”, “viada” e “travesti” não se está incentivando crianças às práticas travestis? O nome disso é doutrinação e erotização de crianças!
Erotização de crianças é uma verdadeira crueldade! A criança não sabe diferenciar sugestão, informação e ordem. Elas crescem e aprendem sob o espectro do modelo de imitação. No momento em que se erotiza crianças está a se incentivar, de forma tácita e subliminar, a própria pedofolia.
Ademais, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA prevê expressamente como crime a erotização de crianças, senão vejamos:
Art. 241.  Vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: (grifos nossos)
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Observe que a exposição de fotografia de caráter pornográfico envolvendo criança ou adolescente se enquadra no crime acima tipificado. Mas alguém pode dizer que afirmar que uma criança retratada como travesti não é pornografia. Então vamos ao significado de pornografia, segundo o dicionário Aurélio2:
Descrição ou representação de coisas consideradas obscenas, geralmente de caráter sexual;
Ação ou representação que ataca ou fere o pudor, a moral ou os considerados bons costumes.
Apor que uma criança é viada e travesti é, latu sensu, prática de atividade pornográfica. Há que se lembrar que o cerne teleológico desse dispositivo é a proteção de crianças diante de condutas erotizantes. Imagens retratando zoofilia, incentivo ao homossexualismo infantil e práticas sodomitas são, sobretudo, uma agressão àqueles que não têm maturidade sexual e cognitiva suficiente para discernir o que está por trás dessas figuras.
O mesmo Estatuto (ECA), entendendo a tenra maturidade sexual e cognitiva das crianças, proíbe que a estas sejam expostas imagens de conteúdo sexual. Vejamos:
Art. 78. As revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo.
Outrossim, o Pacto de San José da Costa Rica (Convenção Americana sobre Direitos Humanos), do qual o Brasil é signatário, versa em seu art. 19, sobre a mantença dos direitos da criança. Vejamos:
Art. 19 – Toda criança tem direito às medidas de proteção que a sua condição de menor requer por parte da sua família, da sociedade e do Estado.
A condição de menor das crianças lhes dá direito inalienável de proteção! Como supramencionado, uma criança não tem condições de diferenciar sugestão, informação e ordem, motivo pelo qual o Pacto de San José da Costa Rica lhe assegura a proteção do Estado, da família e da sociedade, em virtude de sua condição de menor. No momento em que o órgão de fiscalização do cumprimento da lei deliberadamente desconsidera esse dispositivo, passamos a viver em uma quadra bastante preocupante!
Ademais, a Constituição da República apregoa que a lei punirá severamente qualquer espécie de abuso, violência ou exploração sexual da criança e do adolescente. Vejamos:
Art. 227, § 4º – A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.
Essa é uma norma constitucional assecuratória. Por tal natureza, deve ser interpretada de forma expansiva. Qualquer espécie de violência sexual da criança, inclusive a psicológica, deve ser severamente punida pela lei. Nesse prisma constitucional, o ECA tipificou como crime o constrangimento de crianças. Vejamos a letra da lei:
Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento:
Pena – detenção de seis meses a dois anos.
Ainda quanto à análise da norma vigente, veja o que preconiza o Código Penal Brasileiro:
Art. 218-B.  Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.   
O que seria, senão indução à exploração sexual de crianças, imagens que erotizam meninos e meninas? Quando se fala em “Criança viada travesti”, qual a mensagem que se está transmitindo? Como sugerir que esta frase não tem alto teor sexual?
Referindo-nos, mais uma vez, à recomendação do Ministério Público citada no início deste artigo, utiliza-se, como argumento central, o exercício da liberdade de expressão para liberação da exposição em epígrafe. Esquece-se, todavia, que não há direito fundamental absoluto, e que este direito não pode ser invocado como salvaguardo de práticas criminosas/delituosas. Ora, fundamentar erotização de crianças com fulcro no direito de liberdade de expressão é uma verdadeira aberração hermenêutica!
Por fim, é inquestionável o dever de proteção a nossas crianças por parte do Estado brasileiro, em todas as suas esferas de atuação. É de completo e veemente repúdio a posição do Ministério Público Federal da 4ª Região quanto à reabertura de exposição tão agressiva à dignidade de nossas crianças. Esperamos veementemente que o Ministério Público, que deveria atuar de forma assecuratória dos direitos da criança e do adolescente, venha a rever seu posicionamento, em respeito àqueles que não podem se defender. É lamentável, revoltante, indignante e insustentável um procurador da república defender exposição de imagens que erotizam crianças, e ainda por cima, utilizar o Ministério Público Federal para tal! Proteste! Não aceite esse impropério vergonhoso e descabido.
Se você não concorda com a posição do procurador do Ministério Público da 4ª Região, exerça sua cidadania e o seu direito de expressão, tão defendido pelo próprio Ministério Público, e envie um e-mail ao referido procurador da república, cujo e-mail está disponível no sítio oficial do MPF4: http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/institucional/prdcs/contatos/, de modo que este, como ser humano que é, possa refletir e rever sua posição.
Sabemos que a atuação do Ministério Público é independente e autônoma, mas é bem verdade que o que legitima a atuação estatal é a própria sociedade.
Por fim, oremos por nosso país e por nossas crianças. Estejamos, como verdadeiros atalaias, atentos e vigilantes a tudo aquilo que tenta ser imposto a nossos filhos, ainda que travestidos de arte ou de cultura. Não podemos aceitar essa afronta à dignidade de nossas crianças.
Que nosso Senhor Jesus abençoe nosso país!
Hélio Roberto.
Referências:
  1. http://s.conjur.com.br/dl/recomendacao-mpf-rs-reabertura-mostra.pdf
  2. https://dicionariodoaurelio.com/pornografiapornografia
Fonte: Artigo escrito para o site GospelPrime.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Tecnologia que nos afasta!


Ainda tinha muitas coisas que vos escrever; não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco, e conversaremos de viva voz, para que a nossa alegria seja completa. 2 Jo 12

Vivemos tempos em que as ferramentas tecnológicas têm avançado exponencialmente. Nessa onda, e de forma até mais evidente, vê-se a quantidade de programas e aplicativos criados que nos conectam com pessoas dos mais ermos pontos do planeta Terra. Basta, para tanto, um smartphone e uma rede de internet, e pronto: não há limite para a interação social. Mas será que isso é mesmo verdade?
O que é, de fato, interação social? O que é viver em sociedade, ou no âmbito da Igreja, viver em comunidade?
Esperava-se que todas essas ferramentas iriam nos aproximar e estreitar os nossos relacionamentos. Só no Brasil, segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas – FGV1, até outubro desse ano haverá cerca de 208 milhões de smartphones (um aparelho por habitante)! Ora, com toda essa malha de aparelhos potencialmente conectores, deveríamos estar mais próximos, certo?
Errado! De maneira inversa do superficialmente esperado, os aplicativos de redes sociais têm, na verdade, nos afastado cada vez mais. As pessoas se isolam em torno de seus smartphones (de si mesmas) e simplesmente deixam de interagir com outras pessoas. Entre em um ônibus, ou em um metrô e observe a quantidade de pessoas conversando com o mundo, mas “sozinhas” quanto ao ambiente no qual estão inseridas. Ou até mesmo pessoas em uma mesa de restaurante, onde os dedos ávidos e frenéticos não cansam de digitar e digitar, canalizando toda a atenção a ponto de sequer se olhar nos olhos de quem está à sua frente. Conversar então, virou quase lenda urbana!
Não nos relacionamos mais; e dentro dos lares não tem sido diferente, inclusive dos lares cristãos. Pais já não sentem o abraço de seus filhos. Irmãos já não brincam, correm, ou até mesmo brigam entre si (faz parte da infância). Por outro lado, o malfadado smartphone é o presente tão ansiado desde os 4 anos de idade, ou até antes. Há algo muito errado nisso tudo!
Segundo o Dr. Augusto Cury, uma criança de 4 anos de idade tem mais informações que César, quando imperador de Roma. Entretanto, isso não é algo benéfico, dado a quantidade de “lixo” que é gerado em nossas crianças, com muitos dados e pouquíssima informação. Isso produz, segundo o Dr. Cury, stress cerebral, desencadeando cada vez mais cedo a perigosíssima e indesejada ansiedade. Muitos chegam a quase ter um colapso nervoso quando a Justiça, por exemplo, bloqueia o Whatsapp por 12 horas.
Veja, não estou dizendo que a tecnologia é ruim. Ela é bastante útil, inclusive quando não moramos perto das pessoas que amamos. O que estou dizendo é que nossa maneira de a utilizar tem nos afastado e tornado nossos relacionamentos cada vez mais rasos, superficiais e de aparências.
Nos dias atuais, as pessoas se evitam colocando a tecnologia como “facilitador” da interação, mas que, na verdade, trata-se de uma barreira ao relacionamento. Vou tentar dar um exemplo bem lúdico: há pouco tempo atrás, quando um amigo fazia aniversário, era praticamente certo que você iria visitá-lo, dá-lhe um abraço, levar sua família para compartilhar a alegria de estar junto com seu amigo nesse dia tão especial. Atualmente, poucos são os que sequer fazem uma ligação. A grande maioria prefere enviar uma mensagem de parabéns em quantos grupos de Whatsapp o tão “querido” amigo esteja inserido. Veja, mensagens frias e sem o calor da presença têm tomado o lugar da verdadeira interação entre os irmãos. Mensagens que, muitas vezes, são enviadas apenas como mera conduta protocolar.
Isso não é e nem nunca foi Cristianismo! Isso é comodismo, individualismo e falsas aparências que roubam o lugar do tão precioso convívio em comunidade!
Bradamos que somos irmãos, e até mesmo quando alguém nos pede oração, o que rotineiramente fazemos é inserir as famigeradas “mãozinhas unidas” como se isso afagasse, de alguma forma, a alma angustiada de quem está pedindo aquela oração.
Queridos, o próprio Apóstolo João não abria mão de estar junto com as pessoas que ele amava: “Ainda tinha muitas coisas que vos escrever; não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco, e conversaremos de viva voz, para que a nossa alegria seja completa”. 2 Jo 12
Não permita que a frieza das conversas por meio de aplicativos de celular arranquem do seu coração a alegria de estar junto com quem você ama! Não esqueça de estar mais junto de quem é importante para você. Não se engane, mesmo com toda essa tecnologia, você pode estar bem mais longe dos seus amigos do que estaria há 20 anos atrás.
Que Deus te abençoe poderosamente, em nome de Jesus!
“Oh! Quão bom e suave é que os irmãos vivam em união”. Sl 133:1
Hélio Roberto.

Referências:
http://link.estadao.com.br/noticias/gadget,ate-o-fim-de-2017-brasil-tera-um-smartphone-por-habitante-diz-pesquisa-da-fgv,70001744407
Artigo escrito para o site GospelPrime.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O cristão e a música mundana



Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. Fp 4:8



Recentemente, participei de um evento que refletia sobre o que é e a importância da cosmovisão cristã, ou seja, da visão de mundo sob a ótica do Cristianismo. Foram dias fenomenais! Cada palestra mais instigante e edificante do que a outra, e assim se transcorreu a semana.
Entretanto, no último dia, todos os participantes se reuniram para uma espécie de confraternização em um local que eu, na minha ingenuidade, achei que seria apenas uma lanchonete. Ao chegar ao local, percebi que era um barzinho com música ao vivo. Como havia algumas pessoas que estavam de carona comigo, resolvi sentar, comer e então ir embora.
Não obstante o incômodo que o local trazia, pensei que estar junto com os irmãos faria com que o ambiente ficasse mais agradável, afinal, ali estavam pessoas altamente qualificadas e que haviam se comprometido em mudar o mundo, levando os princípios e valores de Cristo!
De repente, o cantor começa a cantar uma música da banda Paralamas do Sucesso. Nessa hora, a maioria esmagadora da mesa (havia cerca de 50 pessoas) começou a cantar, bater palmas e dançar, em sincronia, de um lado para o outro em seus lugares. Olhos fechados, rostos sorridentes e a sintonia das palmas em consonância com a malfadada música era a fotografia do momento.
Irmãos, nesse momento tive vontade de chorar! Meus olhos se encheram de lágrimas. Meu coração ficou apertado. Comecei a falar com Deus dizendo: “Senhor, são essas pessoas que vão mudar o mundo? Eles se esqueceram de que ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus?” Continuei falando com o Senhor: “Será que todos aqui estão certos e eu é que estou errado?” Então o Senhor trouxe ao meu coração, instantaneamente, a Sua Palavra: “(…) Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Tg 4:4
Após esse evento, pude perceber que o liberalismo e a máxima do “tem nada a ver” têm infectado a Igreja e o povo de Deus. É comum se utilizar a declaração de que a Bíblia não nos proíbe nada, sob a perspectiva de que tudo me é lícito, e que imputar proibições seria, na verdade, uma prática legalista. Veja, essa é, na verdade, uma declaração falaciosa. Legalismo, na verdade, é utilizar a Palavra de Deus para pecar. Legalismo é isolar um versículo da Bíblia, e porque este diz, dentro de um contexto, que todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm (1 Co 6:12), esquecer todo o restante da Bíblia. O verdadeiro legalismo é utilizar as Escrituras como meio de justificação para a prática do pecado!
Entrando mais a fundo no cerne desse artigo, têm surgido, de forma reiterada, notícia pós notícia de que cantores do mundo gospel estão entoando músicas seculares, ou até mesmo frequentando shows da mesma espécie. Desde Kleber Lucas, Thales Roberto, Perlla, Priscila Alcântara e agora o vocalista do Oficina G3, Mauro Henrique, as notícias não param de surgir.
O pior é que essa gente tem arrastado um caminhão de incautos. São líderes sem compromisso verdadeiro com Deus, amantes mais dos seus prazeres do que da presença do Altíssimo. Estamos vivendo tempos em que o diabo tem entrado nas Igrejas, tomando a adoração para si; tempos em que não há mais adoração, e sim desejos, pecados, lucros exacerbados e autopromoção.
Daria para escrever um artigo sobre cada um desses “crentes” citados acima, mas quero me ater apenas à justificava do último deles, Mauro Henrique. Ao ser questionado sobre o fato de ter cantado Beatles em determinado show, a sua resposta foi a seguinte: “Essas oportunidades fazem com que as pessoas que têm algum preconceito da religião percebam que não somos bitolados. Tenho uma relação boa com vários artistas seculares. Música para mim, é música1.” E aí está o motivo pelo qual a simbiose de cantores evangélicos com o mundanismo tem se tornado cada vez mais frequente.
O cerne da questão, como sempre, está no coração. A música, de fato, é algo bastante envolvente, e o fato de músicos que se intitulam cristãos sucumbirem à música mundana ocorre porque estes amam mais a música do que a Deus. Para eles, a música dá tanto prazer que, embora não glorifique a Deus, as suas carnes não conseguem resistir. São pouco, ou quase nada, conhecedores da Palavra de Deus, sempre utilizando máximas como “não julgueis” ou “Deus é que é o juiz”, ou ainda “não seja legalista” para justificarem suas práticas cheias de satisfação egocêntrica e mundana. Hipócritas! Não têm qualquer temor ou reverência a Deus.
Falsos cristãos, amantes de si mesmos, amigos do mundo e dos prazeres do mundo! Escarnecem do evangelho e do nome do Senhor Jesus, gerando escândalos e profanando o nome Santo do Senhor, dando mal testemunho e impedindo que o pecador caído se aproxime de Deus! Como a Palavra do Senhor assegura, serão responsabilizados: “E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.” Lc 17:1-2
Deus, segundo a Sua Santa Palavra, procura adoradores em Espírito e em verdade. Aqueles, porém, têm profanado o altar de Deus. Deus não habita em meio ao pecado e a Justiça de Deus não tardará em se cumprir.
Há quanto tempo você não vê um aleijado levantar de uma cadeira de rodas? Há quanto tempo você não vê um cego retomar a visão? Há quanto tempo você não vê um portador de AIDS ser curado? Se é que você viu um dia. Ora, Deus mudou? Decerto que não. Deus continua o mesmo. A verdade é que o povo de Deus, ao contrário do que havia na Igreja primitiva (E em toda alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. At 2:43), não há mais temor ao Senhor. Pessoas têm “saído” do mundo com seus vícios e desejos e não permitem que Deus as liberte. Então começam a subir nos púlpitos para cantar, mas com o coração na MPB, no funk e no pop rock. Não se engane, Jesus disse que onde estiver o seu coração, ali estará o seu tesouro.
A Palavra do Senhor nos garante que Deus não relativizou Sua Santidade. O que ocorreu é que Aquele que é Santo, Jesus Cristo, pagou o preço por todos que lhe têm como Senhor e Salvador. E nestes, habita o Espírito Santo de Deus. Ser templo de Deus significa ouvir a voz do Senhor e permitir que Ele nos transforme. Todavia, aqueles que não têm qualquer convencimento de seus pecados assim o estão por não ouvirem mais a voz do Senhor. Suas consciências estão cauterizadas e, como mortos, já não sentem a dor e a culpa pela prática do pecado. A ira de Deus continua existindo, e tem aumentado a cada dia, até que o cálice da ira de Deus transbordará!
Se você se diz crente em Jesus Cristo e não teve sua mente transformada, libertando-o de seus velhos prazeres, práticas e condutas, sinto lhe dizer que você precisa de conversão. Você pode até ainda não conseguir vencer suas lutas contra o pecado, mas o que não pode acontecer, de maneira nenhuma, é você conviver com o pecado achando que em Jesus você pode fazer o que quiser sem qualquer consequência. É a podridão do pecado não te incomodar mais. É você estar com sua mente cauterizada e dormente. É o mundanismo ser tratado como normal e o santo passar a se misturar com o profano.
O Apóstolo Paulo nos diz que, em Cristo temos nossa mente renovada: “E não vos conformeis com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Rm 12:2. Este termo (renovação) no grego é metanoia, ou seja, completa transformação da mente em Cristo Jesus. Mas atente ao início do versículo: “E não vos conformeis com este mundo”. Conformar com este mundo é tomar a forma do mundo! Faça um exercício voltando ao exemplo no início desse artigo, e reflita: ao ver aquela cena, você diria que se tratavam de pessoas do mundo ou crentes em Jesus?
Ainda com relação à declaração do vocalista do Oficina G3, se ser bitolado é odiar o pecado e o modelo desse mundo, então eu sou sim bitolado, e graças a Deus por isso!
A Bíblia diz: “Apartai-vos de toda aparência do mal”. 1 Ts 5:22. Ora, só a aparência do mal já é algo pecaminoso!
Queridos, a música tem em si uma característica de adoração. Ela penetra no coração! O que tem entrado no seu coração? Você tem guardado seu coração a Deus? Se você ainda tem necessidade de viver as coisas outrora vividas, precisa permitir que Jesus o liberte completamente. Clame a ele e odeie o pecado!
Igreja, clamo com o mais profundo da minha alma: não relativize as verdades de Deus. Não perca tempo com o mundo, nem entregue seu coração àquilo que quer ocupar o lugar do Senhor! A sua comunhão com Deus e a sua eternidade são valiosas demais para serem arriscadas com algo que fará você se parecer com o mundo e com aqueles que escarnecem ao Senhor Jesus!
Apenas a título de exemplo, um dos maiores compositores de música clássica do séc. XIX, Richard Wagner, era satanista declarado, e muitos cristãos o ouvem, sem saber, até os dias de hoje. Cuidado com o que você ouve e adora! Não arrisque. Você tem muito a perder…
Por fim, não conheço um herói da fé que tenha tido profunda intimidade com Deus e tenha perdido tempo com a adoração e o padrão deste mundo!
Que nosso Senhor Jesus te abençoe grandemente e lhe discernimento espiritual para que você não seja enganado por este mundo caído.
Grande Abraço,
Hélio Roberto.

Fonte:
1. https://musica.gospelprime.com.br/mauro-henrique-tributo-beatles/
Artigo escrito para o site GospelPrime.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O cristão, os impostos e o senso de coletividade


Onde está nosso senso de coletividade no tocante à questão tributária?

 

Como dizia C. S. Lewis, o Cristianismo é puro e simples. O problema é que nós, pela dificuldade de abdicarmos de nossas vontades e desejos, tentamos relativizar as verdades de Deus, apresentando pseudo-justificativas às nossas condutas contrárias à Palavra e ao padrão de Deus.

Nesse breve artigo, quero tratar de um ponto bem controverso, mas que se enquadra perfeitamente no parágrafo introdutório acima: a questão do dever de pagar impostos.

Certa feita, com fim de experimentar Jesus, herodianos e fariseus perguntaram-lhe se era lícito pagar impostos: “Dize-nos, pois: que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não?” Mt 22:17. Por detrás da pergunta formulada, havia a intenção de contrapor Jesus perante determinados grupos organizados da época. É que se Jesus dissesse que era lícito, os judeus se levantariam contra ele sob o álibi de que Jesus se submetia inteiramente ao governo de César. Por outro lado, se Jesus dissesse que não era lícito pagar impostos, estaria se associando aos zelotes, grupo revolucionário que se opunha a César, e que era majoritariamente rejeitado pelo povo. Entretanto, a resposta do Mestre foi fenomenal por dois motivos: (1) Jesus conseguiu deixar os seus inquiridores sem resposta; e (2) Jesus nos ensinou que o fato de sermos cidadãos celestiais não anula nossos deveres como cidadãos na Terra. Vejamos a resposta: “Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Mt 22:19-21.

Passando ao cerne do artigo em comento, analisemos a questão do dever de pagar impostos por parte daqueles que são filhos de Deus.

Indo direto ao ponto, o que falta àqueles que se eximem dessa obrigação é, em primeiro lugar: temor a Deus, e em seguida: um verdadeiro senso de coletividade.

Explico. Quando digo que falta temor a Deus significa que os cristãos devem cumprir suas obrigações cívicas por amor e temor a Deus, antes de tudo! Devemos dar bom testemunho como filhos de Deus, além de nos submetermos às autoridades e regras impostas por quem de Direito, desde que não contrariem a Palavra de Deus: “Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.” Rm 13:1-2

Como pode alguém que se intitula cristão sonegar imposto de renda, por exemplo? Arrumar falsos recibos de médicos ou dentistas para fraudar a Receita Federal? Tolos e hipócritas! Acham mesmo que Deus não está vendo? Estão tão embebecidos em suas consciências cauterizadas pelo pecado que nem mesmo conseguem ver a profundidade de seus erros, e não estou nem entrando na questão da mentira em si.

Veja que vexame: um crente em Jesus, pelos motivos do parágrafo anterior, ser pego na “malha fina” pelo órgão fazendário! Com que moral ou autoridade poderemos exortar e confrontar o pecado se muitos de nós sequer cumprem com suas obrigações cívicas? Esse “evangelho de groselha”, fraco, sem consistência e sem mudança de caráter não é o evangelho de Jesus Cristo que durou 2.000 anos!

Outrossim, falta também verdadeiro senso de coletividade. Raramente se vê a questão dos impostos com os “óculos” da coletividade. Veja, quando não se exige o cupom fiscal na padaria ou na farmácia, ou em qualquer outro lugar, é comum que se pense o seguinte: “esse pobre comerciante já paga tantos impostos! Não vou pedir o cupom fiscal. Vou ajudá-lo”. Esse tipo de pensamento está equivocado por dois motivos. Primeiro porque no preço dos produtos já estão embutidos os impostos. Segundo porque quando se deixa de exigir o respectivo cupom fiscal, e, por conseguinte, o regular recolhimento dos impostos por parte do comerciante, está a se lesar toda a coletividade. Veja, você não está beneficiando o vendedor ao fazer isso, você está prejudicando toda a sociedade. Entenda que os impostos recolhidos têm como finalidade a efetivação de políticas públicas que beneficiam toda a sociedade, principalmente os mais carentes que, em sua maioria, dependem dos serviços públicos de saúde e educação, por exemplo.

Quando você deixa de exigir o regular recolhimento tributário por parte do comerciante (por meio da emissão do cupom fiscal), o que você está fazendo é contribuindo para que não haja ambulâncias, viaturas, computadores nas escolas e vacinas nos postos de saúde. Não se engane, você é tão responsável por não exigir a nota, quanto aquele que deixa de emiti-la.

Observe a questão teleológica1 das ações do Governo de alguns estados quanto à questão tributária. Em alguns estados, como ocorre aqui no Distrito Federal, o Governo implementou uma política de incentivos ao cidadão que insere o seu CPF no cupom fiscal. Segundo essa política pública, parte do imposto recolhido é revertido individualmente àquele que exigiu a emissão do cupom fiscal e inseriu o seu CPF.

Veja, é necessário que o Governo incentive as pessoas a exigirem os cupons fiscais tocando em um dos pontos mais decadentes do ser humano: o individualismo. Sabendo que as pessoas se preocupam, originariamente, com seus próprios “umbigos”, o Governo direciona as pessoas a exigirem os cupons fiscais, ao estimular características egocêntricas do ser humano, afinal, eu vou exigir o cupom fiscal porque terei desconto no meu IPVA ou no meu IPTU. Percebe o individualismo?

Não estou dizendo que você não deva aderir a essas políticas públicas implementadas. O que estou dizendo é que, antes de pensar em receber algo para si mesmo, pense nos benefícios que serão trazidos à toda coletividade. Exija o regular recolhimento dos impostos devidos por consciência cívica de que estes impostos beneficiarão todo o país, em especial os mais carentes. Traga em seu coração a preocupação coletiva antes da individual. Se somos cerca de 40% da população brasileira (evangélicos), devemos começar a tomar atitudes que verdadeiramente mudarão a realidade de nosso país. Vivamos Cristo em nosso dia-a-dia.

É bem verdade que a carga tributária brasileira é altíssima. Mas não é sonegando que esta questão será resolvida. Isso será resolvido por meio de educação cívico-política, em que, pelo exercício legítimo da cidadania, conseguiremos influenciar as normas e leis de nosso país.

Por fim, é comum ouvirmos, daqueles que não querer arcar com o dever de pagar impostos, justificativas como: “os políticos utilizam nossos impostos para corrupção”.  Mas será mesmo que o erro da corrupção deve ser motivo suficiente para que incorramos no erro da sonegação? Penso veementemente que não!

Que Deus te abençoe grandemente, em nome de Jesus!

Grande Abraço,

Hélio Roberto.

Referências:
1. Método interpretativo que visa a entender a finalidade e o objetivo de uma norma.


Fonte: Artigo escrito para o site GospelPrime.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Estatuto do Nascituro e a perspectiva cristã


Abre a tua boca em favor dos que não podem se defender; sê o protetor dos direitos de todos os desamparados! Pv 31:8


Esse artigo tem por objetivo esclarecer alguns pontos atinentes ao Projeto de Lei que visa instituir o Estatuto do Nascituro, bem como tecer algumas reflexões quanto à posição daquele que é salvo em Cristo Jesus ante a esta matéria.
De início, é importante ressaltar que o ansiado Estatuto do Nascituro ainda não foi aprovado pelo Congresso Nacional. Esta propositura legislativa tramita, atualmente, na Câmara dos Deputados sob o seguinte número: Projeto de Lei – PL nº 8.116/2014.
O PL 8.116/2014, na verdade, trata-se de um substitutivo ao PL 478/2007, o qual, ao propor a instituição do Estatuto do Nascituro, foi aprovado pela Comissão de Seguridade Social e Família – CSSF, da Câmara dos Deputados, em 19/05/2010. Entretanto, como o Deputado que propôs este PL (478/2007) não se reelegeu, o PL acabou por não ser encampado por nenhum outro parlamentar naquela legislatura.
Desta feita, foi apresentado pelo Deputado Alberto Filho o PL 8.116/2014, que trazia à baila e inseria novamente no processo legislativo a questão do Estatuto do Nascituro.
É necessário, inicialmente, conceituar-se o que seria nascituro. Segundo o próprio PL 8.116/2014 (doravante PL), nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido (art. 2º).
O art. 3º, §1º desse PL prevê que “Desde a concepção são reconhecidos todos os direitos do nascituro, em especial o direito à vida, à saúde, ao desenvolvimento e à integridade física e os demais direitos da personalidade. Esse dispositivo é paradigmático, dado que garante o Direito à vida ao nascituro, bem como à sua integridade física. Isso significa a proibição, como regra, da violação dos direitos do nascituro através de eventuais políticas públicas posteriores.
Ainda na análise desse PL, o art. 4º preconiza: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao nascituro, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, ao desenvolvimento, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à família, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Veja, esse dispositivo proíbe toda e qualquer violência, crueldade e opressão contra o nascituro.
O PL aduz, ainda, que é expressamente vedado causar qualquer dano ao nascituro em virtude de atos praticados por seus genitores, ou seja, por que o bebê teria que pagar com a própria vida pela ação, ainda que desprezível e reprovável, de um dos seus genitores? Ora, penalizar o bebê por ato de um dos seus genitores contraria, inclusive, o princípio do caráter personalíssimo da pena, ou seja, um ser humano não pode pagar a pena pelo ato delituoso cometido por outra pessoa. Nesse prisma, não faz sentido, além de ser ilegal, punir com a morte o bebê em função de uma ação de quaisquer de seus genitores.
Outrossim, o PL reza, em seu art. 13, o seguinte:
“O nascituro concebido em decorrência de estupro terá assegurado os seguintes direitos, ressalvados o disposto no Art. 128 do Código Penal Brasileiro:
I – direito à assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico da mãe;
II – direito de ser encaminhado à adoção, caso a mãe assim o deseje.”
Veja como esse PL é revolucionário e de grande valor. Garantem-se ao nascituro os direitos de assistência pré-natal e o direito de encaminhamento à adoção, de modo que as mães não sejam impelidas a assassinar seus próprios filhos pelo fato de a gravidez ser indesejada.
Além disso, o PL prevê que, identificado o progenitor no caso de estupro, estaria este obrigado a pagar pensão alimentícia, sem que haja direito de paternidade. Assim, passa-se a responsabilizar aquele que é o autor do ato delituoso (estupro), mas sem punir quem não deu causa àquele ato ilícito (o bebê).
Todavia, não pense que o Estatuto do Nascituro não é atacado pelos movimentos feministas e de esquerda. O PL estava pronto para passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania– CCJC da Câmara dos Deputados; entretanto, por meio de uma manobra ardilosa, no dia 28/06/2017, ele foi encaminhado para a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – CMULHER, cujo objetivo é nada mais nada menos que engavetar ou alterar de forma fatal o teor do Estatuto do Nascituro. Fazem parte desta comissão deputadas controversas como a Dep. Maria do Rosário e a Dep. Érica kokay, ambas ferrenhas defensoras da descriminalização do aborto.
É necessário que o PL tenha sua tramitação continuada e não seja engavetado nesta comissão, para que avancemos rumo ao estanque dessa cultura de morte gerada pelo aborto no Brasil.
Mas por que escrever este artigo? A resposta é simples e objetiva: precisamos começar a nos posicionar, de forma legítima, na esfera pública em defesa dos princípios que regem nossas vidas. A Palavra do Senhor diz: Abre a tua boca em favor dos que não podem se defender; sê o protetor dos direitos de todos os desamparados!” Pv 31:8
É inadmissível que tenhamos uma vida dupla, ou seja, sermos um dentro da Igreja e outro na esfera público-social. Devemos, de forma legítima e legal, exercer nosso direito fundamental de expressão quanto à tramitação de projetos de lei, além de efetivar nossas garantias políticas quanto ao acompanhamento dessas demandas, com a devida influência junto aos parlamentares que nós mesmos elegemos.
Precisamos viver a cosmovisão cristã que cremos, a qual, conforme conceitua o preclaro Prof.º Jonas Madureira: “É o compromisso do coração que determina a estrutura de plausabilidade do mundo”, ou seja, é a forma com a qual o mundo tem sentido para cada um de nós. Não é possível que nos intitulemos cristãos se essa forma de ver o mundo (cosmovisão cristã) não estiver intrinsicamente ligada à cada esfera de nossas vidas, seja pública ou privada. Ademais, é dever de cada um de nós exercer legitimamente nossos direitos e prerrogativas constitucionais.
Por fim, faço um apelo a todos os que são filhos de Deus: tomemos parte nesta luta em favor dos valores cristãos! Insiro o link com os contatos de todos os Deputados Federais no Brasil (http://www2.camara.leg.br/deputados/pesquisa). Acesse este link e encaminhe a seguinte mensagem ao parlamentar que você elegeu (ou outra mensagem que brotar no seu coração, lembrando que a mensagem abaixo é apenas uma sugestão):
“Prezado Deputado(a), venho por meio desta mensagem, acreditando que Vossa Excelência exerce de maneira representativa os interesses de seus eleitores, solicitar sua atuação ativa e permanente no sentido da aprovação do Estatuto do Nascituro, de maneira que estanquemos a cultura de morte gerada pelos interesses abortistas no Brasil. Como seu eleitor, certo de sua atuação, como condição necessária para que o meu voto continue sendo depositado em Vossa Excelência, agradeço, desde já, o atendimento desta solicitação. Estarei acompanhando a atuação de Vossa Excelência nesse sentido, certo de sua atuação esmera e veemente quanto a esta matéria.
Atenciosamente,”
Que Deus abençoe a todos, gerando em cada um de nós a força do Senhor, de maneira que saiamos do comodismo e da inércia, e que, de forma legítima, reivindiquemos a aplicação de nossos princípios, de modo que nossa sociedade seja moldada através dos princípios de nosso Senhor Jesus, por meio dos quais vivemos e alcançamos a verdadeira paz.
Graça e Paz!
Hélio Roberto.
Twitter: @heliorsousa

Fonte:
1. Academia da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos – ANAJURE.
2. Palestra da Professora Lenise Garcia, no Academia ANAJURE.
3. Artigo escrito para o site GospelPrime.